American Vernacular, obra do pintor Kenton Nelson,
cita personagem de uma história de F. Scott Fitzgerald
O artista fala sobre os livros
que ama, e como eles inspiram suas pinturas.
Por Françoise Mouly / The New
Yorker 27 de setembro de 2021
Kenton Nelson, radicado na Califórnia, trabalha com um estilo
que remonta ao passado, evocando formas e artistas clássicos americanos. Na
capa da edição de outono da The New Yorker, ele se inspira nas linhas bem
definidas e na luz inclinada de Edward Hopper, e cita, no nome da livraria, um
personagem de F. Scott Fitzgerald. Conversamos recentemente com o artista sobre
seu trabalho e hábitos de leitura.
A placa na livraria diz "Horace Tarbox Books”. Tarbox é o
personagem central da história "Head and Shoulders", de Fitzgerald.
De que forma sua imagem foi inspirada no conto?
F. Scott Fitzgerald me inspirou a começar a pintar. Eu adorava como ele
conseguia me tirar de onde eu estava para me colocar em outro lugar, então
tentei fazer isso com meu trabalho. Quando comecei a pintar depois da
faculdade, ainda lia seus contos, e eles me forneciam temas e títulos, assim
como neste.
Na história, Fitzgerald escreve: "Ele pretendia escrever uma série
de livros para popularizar o novo realismo, assim como Schopenhauer popularizou
o pessimismo e William James, o pragmatismo". Você considera suas pinturas
engajadas em um novo realismo?
De certa forma, sim. Em todas as minhas pinturas, tento prender a
atenção do observador por alguns minutos para lhe dar uma nova perspectiva
sobre algo que ele conhece. Mas sempre chamei o que faço de
"idealismo narrativo".
Você costuma usar a literatura como ponto de partida para suas imagens? Se
usa, quais autores mais o inspiram?
Eu me inspiro mais no que bons autores fazem. John
Cheever, Maeve Brennan, F. Scott Fitzgerald, Raymond Carver, Raymond Chandler,
Tom Wolfe, para citar alguns. No momento, estou lendo Richard Feynman, Nancy
Mitford e Antoine de Saint-Exupéry.
Como você escolhe os próximos livros que vai ler? Você lê resenhas, pede
sugestões a amigos? Ou você navega por sebos, vai à biblioteca, baixa títulos
no Kindle?
Todas as opções acima. Eu tento qualquer coisa. Adoro receber indicações
de amigos, e não há prazer maior do que navegar por um sebo segurando um livro
antigo. No momento, estou lendo livros de artistas e escritores sobre o processo
criativo, tentando entendê-lo melhor. Acho que estamos todos engajados na mesma
empreitada. Mas nunca haverá tempo suficiente para ler os livros que eu
gostaria, então ouço livros gravados enquanto pinto.

Nenhum comentário:
Postar um comentário