Há 36
anos, na noite de 1º de agosto de 1988, James Newell Osterberg Jr, mais
conhecido como Iggy Pop, subiu pela primeira vez em um palco brasileiro.
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Iggy Pop
Projeto SP,
São Paulo - 1º de agosto de 1988
Um animal louco / Eu sou um
animal louco / As jaulas serão inúteis / Eu sairei assim mesmo / Passando sob os
muros / Através da purina de todos os ossos / Vocês verão!
Os versos acima, escritos pelo dramaturgo
alemão Peter Weiss, poderiam estar em alguma música de Iggy Pop, que se
apresentou no Projeto SP, na capital paulista. Ao final
do show, o jornalista Castilho de Andrade, de O
Estado de São Paulo, fez um comentário conciso sobre o que acabara de
testemunhar: "Que paulada!". Castilho, especialista em
automobilismo cujos ouvidos estão bastante calejados pelo ronco de motores da
Fórmula 1, definia com perfeição um dos shows
de rock mais barulhentos e pesados já apresentados no Brasil.
Aqueles que esperavam o Iggy Pop bem-comportado, de cara limpa e cabelos aparados, que posou para a capa do LP Blah Blah Blah, foram surpreendidos e, muito provavelmente, ficaram decepcionados. O Iggy Pop que estava no palco era o Iggy Pop da capa de seu álbum mais recente, Instinct, produzido pelo requisitado Bill Laswell e ainda inédito por aqui.
A textura sonora aprimorada de Blah Blah Blah, seu penúltimo álbum, produzido pelo amigo David Bowie, foi para o espaço - “Real Wild Child” e “Winners and Losers”, únicas amostras do álbum apresentadas no show, receberam um tratamento heavy. Durante 90 minutos, o público foi atropelado pelo som detonado por Andy McCoy e Seamus Beaghen, nas guitarras, Alvin Gibbs, no baixo, e Paul Garisto, na bateria. Não havia pausa para respirar entre uma música e outra, foi paulada atrás de paulada.
Além de Instinct e Blah Blah Blah, o repertório incluiu músicas dos álbuns New Values, Kill City, The Stooges, Fun House e Raw Power - os três últimos, dos Stooges, grupo que Iggy fundou nos anos 1960 e levou um bocado de garotos a trocar a escola e as canetas pela garagem e as guitarras.
Todo de preto, calça bem justa, colete e botas de couro, que logo foram arrancadas, Iggy, 41 anos, estava muito à vontade. Descabelado, vociferava e exibia uma energia exuberante, de deixar qualquer praticante de aeróbica boquiaberto. Corria, pulava, contorcia-se, fazia malabarismos com o microfone, lançava cusparadas e gestos obscenos para a platéia. Um andaime que estava à esquerda do palco, devido a obras no local, foi escalado e transformado em mezanino por alguns fãs imprudentes e audaciosos.
Sobrevivente da era Sex, Drugs and Rock’n’Roll, Iggy continua a incendiar corações e mentes. Calou aqueles que apostaram que ele não chegaria à década de 1980 e, hoje, estaria na mesma lista que tem os nomes de Jimi Hendrix, Jim Morrison, Janis Joplin e Sid Vicious. Se Iggy vai chegar à próxima década, não se sabe. O que importa é que ele está bem vivo, e provou isso esbanjando vigor e disposição. Vida longa a Iggy Pop!
Resenha de 1988. Foi revista.



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