quarta-feira, 22 de maio de 2024

As criaturas que ganharam vida durante a pandemia


No isolamento da pandemia de COVID-19, criaturas
excêntricas ganharam vida pelas mãos de Edward Steed 


    Uma grande revista a gente logo reconhece pela capa. É o caso da The New Yorker. Cada exemplar é ansiosamente aguardado pelos leitores, não só pela qualidade de seu conteúdo, mas também pelas belas capas de autoria de uma plêiade de ilustradores, cartunistas, quadrinistas e artistas gráficos das mais diferentes escolas, como Edward Steed.

Steed publicou seu primeiro cartum na New Yorker em 2013, quando a revista tinha 88 anos de idade. Nascido em 1987, em Suffolk, na Inglaterra, estudou arquitetura, mas não concluiu o curso. Influenciado pelos traços simples, expressivos e criativos de Charles Barsotti, John Glashan, William Steig, Saul Steinberg e André François, decidiu se tornar um cartunista em 2012. Mudou-se para Nova York e, desde então, seus desenhos têm frequentado as páginas e a capa da revista.

Em 2018, Steed ganhou o Grammy de Melhor Embalagem de Álbum pelo trabalho gráfico da edição deluxe do LP Pure Comedy, de Father John Misty, que incluía uma capa com fundos intercambiáveis e cartas de tarô holográficas.

Françoise Mouly, editora de arte da New Yorker, falou brevemente com Steed sobre as criaturas que ilustram a capa da edição de outubro de 2021 e ganharam vida na forma de bonecos de argila feitos pelo próprio autor, durante o período de isolamento imposto pela pandemia de COVID-19.


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"As Feras e as Belas" de Edward Steed

O artista fala sobre o seu amor pelas diversas criaturas excêntricas que podem ser encontradas pelas calçadas de Nova York


    Françoise Mouly / The New Yorker                 18 de outubro de 2012 

    A cidade de Nova York tem sido um farol para não conformistas de todos os matizes. Suas ruas estão repletas de vida e oferecem muitas excelentes oportunidades para observar pessoas ou monstros, como o artista Edward Steed retratou na capa desta semana.

Você nunca sabe quem ou o que verá pelas ruas de Nova York. Você gosta de passear e observar a cena?

Sim. Na ilustração da capa, eu estava tentando retratar a variedade de monstros que temos aqui em Nova York – a cidade atrai um público completamente diferente do interior da Grã-Bretanha, onde cresci.

Você começou a fazer pequenas esculturas de argila durante a quarentena. Como foi?

Gosto de fazer coisas com argila, mas não frequentemente. É demorado e mais difícil de acertar, mas tive mais tempo durante o isolamento. Acho que uma boa escultura dá mais prazer do que um bom desenho – parece estar viva, com quem é mais interessante compartilhar uma casa.

Você acha mais fácil criar novos personagens quando está desenhando ou quando está trabalhando com figuras de argila? Ou há algo a ser encontrado num movimento de alternância entre os dois?

Cada meio força você a pensar de uma determinada maneira. Algumas formas são difíceis de desenhar, mas fáceis de esculpir, e vice-versa, por isso pode ser útil alternar entre as duas. Eu simplesmente continuo acrescentando algo a um desenho ou a uma escultura até que pareça ter vida para mim.

Existem outros meios que alimentam a sua imaginação: pintura, cinema, música, literatura?

Eu gostaria de fazer um filme.

Se as criaturas falassem, falariam a mesma língua? Se não, como elas se comunicariam?

Todas elas sabem pelo menos um pouco de inglês americano, algumas mais que as outras. Mas todas encontram um jeito de se entender.

Este elenco de personagens parece apropriado, já que faltam apenas algumas semanas para o Halloween. Você cresceu com o feriado, ele significa algo para você? Você veste alguma fantasia?

Nunca comemorei de jeito algum.

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