quarta-feira, 16 de julho de 2025

Só - Edgar Allan Poe


Edgar Allan Poe


Desde criança nunca fui como os outros foram

Nem meus olhos nunca viram o que os outros viram,

Já que minhas paixões não têm a mesma origem,

Não vêm das mesmas fontes as dores que me afligem.

Também o prazer era de outra natureza –

Tudo o que amei ninguém amou, tenho certeza.

Lá – no despertar de um viver atormentado -,

Do âmago do bem e do mal foi arrancado

Esse mistério que ainda me traz prisioneiro:

Da cascata e da torrente – do ocre do outeiro –

Do sol a desfilar sua outonal majestade

E da nuvem que a meus olhos tomou o perfil

De um demônio naquele céu azul anil.

 

Tradução de João Moura Jr.


Nenhum comentário:

Postar um comentário