quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

Rock Progressivo: morto pelo punk, ressuscitado pela new wave


Robert Fripp e Debbie Harry no palco do CBGB, Nova Iorque, 1978
(Foto de Bobby Grossman)

"When things get so big, I don't trust them at all

You want some control - you've got to keep it small" 

(D.I.Y., Peter Gabriel)


    “O mundo de hoje está prestes a acabar, presenciando o nascimento de uma nova era. O King Crimson faz música para o futuro porque é uma música dinâmica e inteligente que existe a partir dos músicos. Já o Emerson, Lake & Palmer faz música para o passado porque depende exclusivamente de uma tecnologia sofisticada que está prestes a se extinguir”. As palavras de Robert Fripp, guitarrista da banda inglesa King Crimson, estão num texto da jornalista Ana Maria Bahiana na revista Rock, a História e a Glória, de 1976. Segundo Bahiana, o comentário de Fripp era "um ataque rancoroso ao Emerson, Lake & Palmer”, banda que, em 1970, sob o comando do tecladista Keith Emerson, surrupiou o cantor, baixista e guitarrista Greg Lake do Crimson.

Para quem acompanhou a trajetória do rock progressivo, as palavras de Fripp chegam a ser proféticas. Com a chegada da garotada do punk, o progressivo, que já dava sinais de desgaste, foi para o brejo do mercado fonográfico. Fripp foi uma exceção, chamando para si a responsabilidade de manter o gênero respirando. Saía de cena quando bem entendia e voltava da mesma maneira, sem ficar preso às exigências das gravadoras, como entregar um disco por ano e encarar a estrada, em uma extenuante turnê para promovê-lo. Em janeiro de 1981, na revista Musician, declarou que “o desgaste físico, mental e emocional do músico durante as turnês é o principal fator do controle da indústria sobre os artistas e da distorção psicológica em muitos deles: o rock and roll mantém você jovem e mata você cedo”.

Greg Lake e Robert Fripp, 1970

Em 1974, pós desativar o Crimson, Fripp pôs em prática toda sua versatilidade e passou a tocar com a nata, desde os seus contemporâneos até a moçada que acabava de chegar. Foi uma época em que aprendeu e ensinou - e assim rejuvenesceu. Fundou The League of Gentlemen, uma banda new wave minimalista. Produziu álbuns de Peter Gabriel, Daryll Hall e The Roches. Realizou trabalhos em parceria com Brian Eno e Andy Summers. Tocou em álbuns do Blondie e do Talking Heads. Participou de “Heroes” e Scary Monsters (and Super Creeps), peças fundamentais da discografia de David Bowie. Em entrevista com Joe Strummer, frontman do Clash, na edição de junho de 1981 da revista Musician, mostrou o quanto estava antenado com a nova geração.

Fripp e Strummer: gerações em sintonia

Em outubro do mesmo ano, sem alarde, o King Crimson voltava às lojas com Discipline. Fripp estava acompanhado de músicos com currículos invejáveis: o vocalista e guitarrista Adrian Belew (Frank Zappa, David Bowie, Talking Heads), o requisitado baixista e stick player Tony Levin (Peter Gabriel, Alice Cooper, Paul Simon, Buddy Rich, John Lennon, Carly Simon, entre tantos outros nomes) e o baterista Bill Bruford (Yes, Genesis, Bruford, UK), remanescente da formação do período 1973/74.



Discipline é um daqueles discos perfeitos. Não havia (e, até hoje, não há) nada parecido. O som da banda dava novo fôlego ao gênero progressivo. O resultado é de cair o queixo. Uma mistura de peso, sutileza, caos e calmaria, tudo muito bem equilibrado, sem ego trips, excessos e estrelismos.


O segundo álbum da nova formação, Beat, de 1982, é uma homenagem à beat generation. A faixa de abertura, Neal and Jack and Me, faz menção a On the Road e a outros livros de Jack Kerouac, do ponto de vista do Studebaker que conduziu os personagens Sal Paradise (Kerouac) e Dean Moriarty (Neal Cassady) numa jornada de liberdade que mudaria os rumos da literatura norte-americana. A partir daí, seguem referências a outros representantes do movimento beat, como Allen Ginsberg e William Burroughs.


Three of a Perfect Pair, a terceira e última peça do quebra-cabeça, de 1984, é a mais "experimental" - o que não chega a ser novidade em se tratando de uma banda sob o comando de Fripp. Com exceção da faixa Sleepless, dificilmente outra faixa frequentaria a programação de alguma rádioembora o baterista Bill Bruford já tivesse declarado modestamente que “o King Crimson é apenas uma banda pop com boas ideias”. E boas ideias nunca faltaram na música que Fripp criou a partir do fim da década de 1960. 


A trilogia Discipline/Beat/Three of a Perfect Pair mostra o quarteto usando e abusando da mais avançada tecnologia a serviço da música - sem precisar da flauta de bambu. Após a turnê de 1984, Fripp, mais uma vez, dá uma pausa na banda, que voltaria dez anos depois, adicionando dois músicos à formação dos anos 80 – um double trio que se desmembrava em múltiplas formações. Após nova pausa, em 1997, o Crimson voltaria como quarteto em 2000, sem Levin e Bruford. Entre idas e vindas, Fripp, sobrevivente solitário do gênero progressivo que tinha como lema “repetir para renovar”chegou ao século 21 com uma música que nunca foi menos do que surpreendente e provocadora.

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Ascensão e queda

Emerson, Lake & Palmer na turnê do álbum Brain Salad Surgery, 1974

    Se, na mitologia do rock progressivo, o King Crimson renasce como fênix, o trio inglês Emerson, Lake & Palmer, como Ícaro, voou alto. E despencou. De 1970 a 1973, o sucesso, a fama e a glória acompanharam o ELP, que lançou cinco álbuns - que estão entre os melhores do gênero - num ritmo estonteante. Em 1974, o sexto álbum (triplo), gravado ao vivo, registra a turnê de Brain Salad Surgeryálbum do ano anterior, em que os shows eram quase diários e chegavam a ter três horas de duração.

Extenuado, o ELP deu uma pausa dos palcos, se trancou em estúdios da Suiça e da França e deu início de um projeto milionário, elaborado e ambicioso, guardado a sete chaves. O resultado apareceria em 1977, no formato de um álbum-duplo que levava o pomposo título de Works Volume 1 e causava tremendo estardalhaço no mundo da música pop. Em Works, o trio tentava dar novo fôlego ao gênero progressivo. O fôlego durou pouco, e o trio foi sufocado pela própria megalomania.

Works Volume 1: último grande álbum do ELP

Em três lados dos dois LPs, o trio ofereceu amostras do talento individual de seus integrantes – naquele momento da década de 1970, integrantes de várias bandas lançaram trabalhos solos. O lado 1, de Keith Emerson, apresentava um solene concerto para piano em três movimentos, acompanhado da London Philharmonic Orchestra. No lado 2, com a participação de uma orquestra e a colaboração do letrista Pete Sinfield, parceiro dos tempos do King Crimson, Greg Lake soltou seu vozeirão em seis baladas. Carl Palmer aproveitou o lado 3 para mostrar toda a destreza que fez dele um dos mais completos músicos do rock - vai do jazz rock ao clássico, em releituras de Prokofiev e Bach, com admirável desenvoltura. O trio se reúne no lado 4 para executar Fanfare for the Common Man, potente versão da obra do compositor norte-americano Aaron Copland, e Pirates, que, em 13 minutos épicos, fecha o álbum como uma das mais bem-sucedidas parcerias entre uma banda de rock e uma orquestra (no caso, a Orchestra de L'Ópera de Paris), um desejo de Emerson desde os anos 1960, quando era integrante do Nice. A música fala de corsários que se aventuram pelos mares à caça de tesouros, sonhando com o Eldorado. Segundo Sinfield, autor da letra, é "a alegoria de uma banda de rock em turnê". A referência ao ELP é óbvia. Em três anoso trio ficou milionário e colecionou discos de ouro e platina. O material promocional da turnê norte-americana colocava o logotipo do trio entre duas espadas, numa alusão à tradicional bandeira de navio de pirata. Works Volume 1 foi o último grande álbum do ELP.


No entanto, os prejuízos acumulados durante a faraônica turnê de Worksem que o trio compartilhava o palco com uma orquestra de setenta músicos, incrementou tensões existentes entre Emerson e Lake. Para cair na estrada com aproximadamente 140 pessoas, entre músicos, técnicos e roadieso trio teve de tirar do próprio bolso 3 milhões de dólares

Carl, Greg e Keith à frente dos músicos e da equipe da turnê de Works

Em uma entrevista, Lake declarou: “Reservávamos hotéis inteiros. Certo dia, fui procurar o gerente da turnê, e, subindo andar por andar, fui dando uma olhada nos corredores - todas aquelas bandejas de serviço de quarto com baldes de garrafas de vinho - e percebi que eu estava pagando por tudo aquilo”.

No meio da turnê, para cortar despesas, a orquestra teve de ser dispensada, e a agenda de shows seguiu apenas com o trio no palco. A orquestra até se ofereceu para continuar na turnê por um salário simbólico, mas, para não ter problemas com o sindicato dos músicos, o trio recusou. Posteriormente, devido a compromissos de agenda, a orquestra voltaria a se juntar ao ELP em apresentações no Olympic Stadium, em Montreal, e no Madison Square Garden, em Nova Iorque.

Olympic Stadium, Montreal: ELP e orquestra tocam para 75 mil pessoas 

Além de todos os problemas on the road, o álbum não foi o sucesso de vendas como a gravadora esperava – corria no sentido contrário de um mercado dominado pelo punk. Ainda em 1977, na tentativa de minimizar os prejuízos, Works Volume 2 foi colocado às pressas nas prateleiras das lojas - uma colcha de retalhos irregular, costurada com singles, sobras de estúdio e trabalhos solos. Não existiria Works Volume 3.

Love Beach: desastre anunciado na capa do álbum

Mas existiu Love Beach, o álbum de 1978 que enterrou o trio. O desastre já estava anunciado no título e na foto da capa, em que os três músicos posavam de latin lovers numa praia caribenha. Constrangimento até para os fãs mais ardorosos, Love Beach mostrava que o trio estava rachado: o álbum se dividia entre baladas curtas de Lake e uma longa suíte de Emerson. Só não foi o fim porque, para cumprir contrato com a gravadora, o trio chegaria às lojas, em 1979, com uma melancólica despedida, o álbum In Concert, anêmico registro das apresentações de Works com a orquestra. O ELP voltaria a se reunir nos anos 1990, gravando álbuns com material inédito e saindo em turnês mundiais. Mas os tempos eram outros. E o tempo, para o ELP, foi implacável.

Keith Emerson suicidou-se em 2016. Greg Lake morreu no mesmo ano, após lutar contra o câncer. Carl Palmer continua em forma e na ativa, apresentando versões instrumentais da obra do ELP em turnês mundiais com um guitarrista e um baixista, sem o brilho e o talento dos antigos companheiros.

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Asia - Asia, 1982


    Há cinco anos, o vocalista/baixista John Wetton (ex-Family, ex-Roxy Music, ex-King Crimson, ex-Uriah Heep) e o baterista Bill Bruford (ex-Yes, ex-King Crimson, ex-Genesis) fundaram o U.K., grupo que, além deles, reuniu outros nomes de grosso calibre, o guitarrista Allan Holdsworth, o tecladista Eddie Jobson e o baterista Terry Bozio - Bruford saiu após o primeiro álbum. Com exceção de Bruford, que liderou uma banda que levava seu sobrenome, o U.K. não passava de um grupo de coadjuvantes, cujo som era um pastiche de clichês do rock progressivo e do fusion, com um pé no pop. A banda durou dois anos, período em que gravou três álbuns. 

Em 1979, o baterista Carl Palmer, que, durante oito anos, foi uma das letras do ELP (Emerson, Lake & Palmer), fez algo parecido. Tirando dinheiro do próprio bolso, ouviu, selecionou e contratou quatro músicos profissionais norte-americanos, com os quais criou a banda PM (apenas duas iniciais, como o U.K.) e lançou 1:PM, o álbum de estreia. Seu objetivo era ver o retorno de seu investimento, assim que a música da banda alcançasse os primeiros postos das paradas de sucesso. O resultado foi constrangedor: o álbum, muito ruim, foi ignorado, e a banda não durou um ano.

Eis que, em 1981, o "destino" uniu a fome de Wetton e a vontade de comer de Palmer. A dupla, com o guitarrista Steve Howe e o tecladista Geoff Downes, ex-integrantes do Yes, formou a banda Asia. Nem o desenhista Roger Dean, responsável pelo visual do Yes nos anos 1970, escapou - é dele a capa do álbum que acaba de chegar às lojas. 

E a história se repete. O Asia é o meio termo entre o U.K. e o PM: é uma versão piorada do U.K. e melhorada do PM. O mais triste é ver o talento de dois virtuoses, Howe e Palmer, ser desperdiçado numa música sem originalidade, feita para tocar nas FMs, na MTV e em comercial de cigarro. Wetton e Palmer, finalmente, alcançaram seus objetivos: Heat of the Moment e Only Time Will Tell, duas faixas do álbum que leva o nome da banda, estão estourando nas paradas de sucesso. O Asia não é um supergrupo de músicos, como diz o press release da gravadora. O Asia é uma esperta reunião de homens de negócios enriquecendo com uma música paupérrima.

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Emerson, Lake & Powell - Emerson, Lake & Powell, 1986


    Após o fim do Emerson, Lake & Palmer, no fim da década passada, seus integrantes tiveram carreiras pouco brilhantes nos anos que se seguiram. O tecladista Keith Emerson lançou um álbum por um selo obscuro e compôs trilhas sonoras para o cinema. O vocalista, baixista e guitarrista Greg Lake, com a colaboração do guitarrista Gary Moore, lançou dois álbuns que misturavam baladas e hard rock. O baterista e percussionista Carl Palmer investiu dinheiro numa banda pré-fabricada chamada PM, com o objetivo de conquistar as paradas nas rádios FM. Foi um fracasso retumbante. Conseguiu realizar seu intento no infame "supergrupo" Asia.

Descontentes com o insucesso de suas carreiras pós-ELP, e impossibilitados de contar com Palmer, que continua enchendo a burra no Asia, Emerson e Lake passaram a listar bateristas. O primeiro foi Simon Philips. Não deu certo. Realizaram algumas sessões em estúdio com Bill Bruford. Não rolou. Deu certo com o experiente Cozy Powell, conhecido por seu trabalho no Jeff Beck Group, no Rainbow e no Whitesnake, banda com a qual se apresentou no Rock in Rio.

Emerson, Lake & Powellprimeira obra do trio, parece um disco do Emerson, Lake & Palmer em rotação lenta. Powell é um baterista de rock pesado, gênero no qual é um dos nomes mais respeitados - não possui a agilidade e as sutilezas que Carl Palmer exibia com extrema maestria.

Além disso, Emerson, Lake & Powell, o álbum, carece do frescor de novas ideias - está muito longe de reviver os bons tempos do ELP de Palmer. Dessa época, só restou o potente vocal de Greg Lake, insuficiente para salvar o álbum de um tédio retumbante. Faltou originalidade até na tentativa de recriar uma peça clássica, especialidade de Emerson nas décadas de 1960 e 1970. Em Emerson, Lake & Powell, a versão "progressiva" de Mars, the Bringer of War, da suíte The Planets, de Gustav Holst, não chega a ser novidade. Outro grupo inglês, o King Crimson, já havia feito o mesmo em 1969 - ironicamente, com Greg Lake entre os seus integrantes.

Se tem alguém que merece elogios é Debra Bishop, autora do design da capa do álbum, pela perfeição com que representou graficamente o trio: três rostos estilizados e perfilados que lembram os moais da Ilha da Páscoa. Monumentos imponentes, grandiosos e impassíveis que estão no mesmo lugar há séculos, parados no tempo.

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Anderson Bruford Wakeman Howe - ABWH, 1989


    Os fãs mais radicais do Yes que torceram o nariz para os últimos trabalhos da banda, cujo som estava mais para a new wave do que para o rock progressivo, já podem respirar aliviados. Acaba de sair do forno o álbum do quarteto Anderson, Bruford, Wakeman & Howe, formado por antigos integrantes da banda inglesa. O baixista Chris Squire, cofundador do Yes na década de 1960, não está na empreitada. Ganhou na justiça os direitos de uso do nome Yes, o que fez com que Jon Anderson (vocal), Bill Bruford (bateria), Rick Wakeman (teclados) e Steve Howe (guitarra) batizassem a “nova banda" com seus famosos sobrenomes.

O álbum de estreia, que leva o nome do quarteto, não decepciona, e proporciona ao ouvinte a sensação de uma viagem ao passado, aos áureos tempos do rock progressivo. Até o ilustrador Roger Dean, responsável pela concepção visual das capas dos álbuns e da cenografia de palco do Yes, foi recrutado. No Brasil dos anos 1970, em bares universitários e repúblicas estudantis, posters de suas paisagens fantásticas fizeram a cabeça de muito bicho-grilo. Para o ABWH, Dean ainda dirigiu o clipe de Brother of Mine, música escolhida para promover o álbum.

Quase nada mudou no som que estes senhores fazem com talento, experiência e competência. Anderson ainda conserva a voz que é marca registrada do Yes. Bruford, que, em 1972, deixou a banda no auge da fama para integrar o King Crimson, é um dos bateristas mais criativos em atividade. Wakeman continua pilotando sua vasta coleção de teclados, num duelo constante com Howe, o virtuose da guitarra. O quarteto ainda conta com apoio de três músicos adicionais: o guitarrista Milton McDonald, o tecladista Matt Clifford e o baixista Tony Levin, que veio ocupar a vaga deixada por Squire, a convite de Bruford. Nome bastante conhecido e respeitado, Levin, além de requisitado session man, fez parte da última formação do King Crimson (com Bruford), é integrante habitual da banda que acompanha Peter Gabriel e vinha dando uma canja no Pink Floyd.

Nenhum yesmaníaco terá motivo para se desapontar com as nove faixas que somam 60 minutos de duração. Nem tudo se cria e muita coisa se recicla - um detalhe menor para os fãs que queriam isso mesmo: mais uma dose do bom e velho Yes.


Colagem atualizada, revista e ampliada de resenhas escritas entre 1982 e 1989.

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