"A morte é uma excelente alavancagem
para as carreiras de celebridades populares"
Setembro de 2022 ficou marcado como o mês
de acontecimentos bizarros e funestos. O Brasil foi palco de um show de horrores que teve início, de maneira mórbida, na semana das comemorações dos 200 anos
da Independência: o coração do imperador Pedro I foi trazido de Portugal, num pote com formol, para ficar exposto à visitação do público. O que veio a seguir, no desfile do 7 de Setembro e no debate dos presidenciáveis, serviria de matéria-prima para mais um volume do FEBEAPÁ, do saudoso Stanislaw Ponte Preta, ou para o roteiro de uma sequência de Bananas, filme de Woody Allen
Na Escócia, bem longe destes acontecimentos, uma celebridade, a rainha Elizabeth II, esticava as canelas. E tome dez dias de exéquias, garantia de entretenimento midiático para toda a família. Na
TV, as notícias da corrida presidencial brasileira foram solapadas pela cerimônias fúnebres da matriarca da família real britânica.
O que é intrigante, em relação a
Elizabeth, é veneração exagerada que os brasileiros dedicam a ela. Nas redes sociais, teve gente comentando
“parece que perdemos alguém da família”. Que os britânicos a tenham em grande estima é compreensível, mas a vassalagem dos brasileiros é nonsense.
As paródias que o cinema
e a TV fizeram da rainha e de sua real família são mais admiráveis. Um bom exemplo é a Elizabeth encarnada por Scott Thompson, do The Kids
In the Hall, grupo de comediantes canadenses. No primeiro filme da trilogia Corra Que A Polícia Vem Aí (Naked Gun, 1988), numa coletiva de imprensa, o tenente Frank Drebin (Leslie Nielsen), encarregado da proteção da rainha em território americano, faz o seguinte comentário: “Proteger a rainha é uma tarefa que agrada a polícia, não importando - para nós, americanos - como é idiota a ideia de se ter uma rainha”.
Charles, herdeiro do trono cuja profissão, segundo o New York Times, era ”esperar a mãe morrer”, prometeu que dará continuidade ao trabalho da progenitora. Uma coisa é certa: com as mortes de Elizabeth e da atriz Betty White, quem passa a reinar no país dos memes sobre a
longevidade das celebridades é Keith Richards.
Em outubro de 2005, o jornal Valor Econômico publicou um artigo sobre a vida póstuma de personagens da cultura pop.
***
Existe vida após a morte
Defeitos são para gente comum, não para celebridades, especialmente as musicais, incensadas enquanto vivem e mesmo depois - em manifestações que podem ser espontâneas, mas também se deixam associar a estratégias de mercado.
João Marcos Coelho / Valor Econômico
Nos últimos dez dias, o Brasil
perdeu duas celebridades incontestáveis: Ronald Golias, aos 76 anos, e Emilinha
Borba, aos 82. O luto coletivo levou a mídia a exageros que se justificam pelo
calor da hora. “Gênio” foi a palavra mais suave que se empregou para qualificar
o humorista e a cantora que por várias décadas conquistaram enorme sucesso
popular.
Na realidade, Golias andava encostado no horrível “A
Praça da Alegria”, programa exibido no SBT, e de Emilinha pouco se sabia.
Marginalizados, foram trazidos de supetão para o centro do palco midiático.
Presidentes de fã-clubes deram entrevistas emocionadas, jornalistas cobriram
com dedicação todos os lances envolvendo as mortes, velórios públicos e
enterros. E os críticos os avaliaram com mil e uma hipérboles. Os defeitos, as
limitações, desapareceram magicamente, ressaltaram-se apenas as qualidades.
Pode parecer cínico lembrar, numa hora dessas, que “a
morte é uma excelente alavancagem para as carreiras de celebridades populares”.
A expressão é de Steve Jones, editor de uma coletânea de ensaios
recém-publicados nos EUA com o título “Afterlife as Afterimage – Undestanding
the Posthumous Fame” (algo como “vida após a morte como pós-imagem: entendendo
a fama póstuma”).
A “carreira póstuma” também é assunto no livro “John
Lennon Imagined: Cultural History of a Rock Star” (veja entrevista adiante).
Lennon, que faria 65 anos na quarta-feira, será objeto de muita comemoração em
todo o mundo, com direito a álbum-duplo de gravações inéditas, lançamento
programado para o dia do seu aniversário. E em dezembro celebram-se também os
25 anos de sua morte.
A trajetória post-mortem começa com elegias, tributos
e idealizações numa atmosfera de dor compartilhada. Depois, vem a fase da
reavaliação crítica, em que pode haver até interpretações iconoclastas. E
“termina num ponto qualquer, em que os defeitos desaparecem e a figura póstuma
fica à disposição de leituras que nos convenham”, afirma Jones.
Estudiosos de vários países que participam do livro de
Jones asseguram, no entanto, que a fama póstuma de músicos, cantores e
compositores populares é bastante específica. E não fogem do clichê ao afirmar,
como Jones, que “choramos copiosa e publicamente quando perdemos um ídolo
musical porque ele criou a trilha sonora de nossas vidas”. De fato, só assim se
explica a carreira de uma cantora como Maria Rita. Por vontade própria ou
pressão da indústria fonográfica, pouco importa, ela se presta ao papel de
“ghost” da mãe, explorando o sentimento de milhões de fãs e admiradores de Elis
Regina (1945-1982) espalhados por todo o Brasil. Os arranjos clonam César
Camargo Mariano; a formação instrumental idem; os trejeitos, a voz e a postura
de palco da cantora idem ibidem; e as canções escolhidas constroem sonoridades
típicas de três décadas atrás.
Maria Rita é um daqueles casos que os autores de
“Afterlife” adorariam estudar em profundidade, já que no livro não há nenhum
paralelo com estas circunstâncias. Talvez só a perversidade de Nathalie Cole,
anos atrás, de gravar um dueto com o pai Nat King Cole usando alguns artifícios
de estúdio. Boa ideia, talvez, para o terceiro CD de Maria Rita.
Os 13 ensaios de “Afterlife” enfocam ícones da música
americana, como o genial blueseiro Robert Johnson (1911-1938), um mito
construído por críticos e pesquisadores, já que sua carreira é toda póstuma. Ou
Elvis Presley (1935-1977), o maior case
de fama póstuma (mais de três mil imitadores circulam o tempo todo pelos EUA em
shows; veja-se o filme “Um Estranho Chamado Elvis”, com Harvey Keitel e Bridget
Fonda). Até o rapper Tupac Shakur (1971-1996), também assassinado, como Lennon,
e Louis Prima (1910-1978), criticado em seu tempo por ser “italianado demais” e
hoje incensado como “verdadeira reserva cultural contra o mau gosto reinante”,
são objeto de ensaios.
Os ídolos são, para nós, “estranhos íntimos”. Nós os
conhecemos profundamente, e em todos os detalhes. Mas a recíproca não é
verdadeira. É hilária, por exemplo, a descrição que o escritor inglês Toby
Young faz de uma festa do Oscar em Hollywood no livro “Como Fazer Inimigos e
Alienar Pessoas”. Tropeçando em ídolos como Tom Cruise, Nicole Kidman, Sharon
Stone e Liam Neeson, ele constata: “Era desconcertante estar num evento em que
eu conhecia todo mundo e ninguém me conhecia. Com quem iria conversar?”.
É comum usar-se conceitos como “estrela”, “ícone”,
“artista”, “imortal”, “lenda” e “maior do que a vida” quando fala-se sobre
músicos, cantores e compositores populares, sejam do passado ou do presente.
Claro, é uma questão de gosto, mas sabe-se que nem todo cantor pop é uma
estrela, nem toda estrela brilha com igual intensidade e, enquanto algumas
estrelas eclipsam antes que o público as conheça bem, outras são tão
consistentes que nem mesmo a morte apaga seu brilho. O raciocínio é do
pesquisador finlandês Marko Aho, num dos ensaios do livro. “No mundo dos
superstars, lidamos com uma forma específica de existência pública”, que mantém
características básicas com relação ao público: falta de contato direto e total
desconhecimento dessa figura como uma pessoa normal.
“Há uma pessoa normal que não tem nenhuma presença na
mídia. Ele ou ela existe, mas nós não os conhecemos de fato. E, do outro lado,
há a figura midiática virtual, cujo modelo é Michael Jackson”. Deste, sequer
pode-se imaginar como é na “vida real”. Aliás, será que ele tem uma “vida real”
fora da telinha da TV? “Não sabemos”, afirma Aho. “Estamos familiarizados
apenas com a sua imagem”.
Não há preconceito contra a indústria da celebridade
nos ensaios que Jones reuniu em seu livro – o que é surpreendente. Ao
contrário, em vários textos, os autores reafirmam que “os processos de
celebridade póstuma desmentem a acusação de que a fama é uma construção de e
para a mídia”. Após a morte, somente algumas figuras alcançam e sustentam a
fama. Naturalmente, “a mídia não consegue prever nem controlar esse processo;
pode apenas detectá-lo e lucrar com ele”.
Uma das constatações mais interessantes encontradas no
livro é que os ídolos mortos são perfeitos, irretocáveis, porque 1) só falam o
que queremos ou precisamos que nos digam; 2) como estão mortos, jamais
contradizem a intimidade forjada que os fã-clubes e santuários digitais
espalhados pela web exibem. Jones
tenta dar uma de boa praça, mas só consegue um raciocínio tortuoso e
distorcido: “Não estamos, como querem alguns críticos sociais, num inferno
pós-moderno. Não somos miseravelmente alienados num mar de simulacros. E os fãs
não são patéticos idiotas fanáticos. Em vez disso, estes ensaios mostram que a
celebridade póstuma envolve uma participação democrática na leitura do presente
e do passado”.
Ora, ensaios como os de Makela sobre John Lennon e de
Aho sobre “Uma carreira em música: da obscuridade à imortalidade” indicam
justamente o contrário. Estamos, sim, num inferno pós-moderno povoado de
simulacros, os fãs são mesmo patéticos em sua histeria e obsessão. Afinal, a
perda da comunicação pessoal na vida moderna é um fato deplorável. “O luto
pelas celebridades mortas parece a última evidência da patologia da
modernidade: chorar por alguém que você jamais encontrou na frente, com quem
nunca teve um contato pessoal”, observa Jones.
Isso acontece porque “trazemos de volta,
seletivamente, os mortos musicais em nossos próprios termos, para nos ajudar
com nossas próprias concepções do significado da música”, escreve Joli Jensen,
também editora de “Afterlife”.
Um país tropical como o Brasil exibe características
que apaixonariam os pesquisadores de “Afterlife”. Por aqui, há muitos vivos
intocáveis no reino estrelado das celebridades. João Gilberto é um deles. Gênio
absoluto, não pode ser jamais atacado, nem quando canta três milhões de vezes e
há cinco décadas a incrivelmente complexa canção “O Pato”. E os exegetas ficam
sacando refinamentos numa respiração aqui, um trejeito novo ali. Pode? Outro é
Roberto Carlos, talvez o mais antenado com objetivos comerciais entre nossas
celebridades. Já fez músicas para as gordinhas, as costureirinhas etc. Há um
filão inesgotável por aí, só suportável mesmo pelas tribos que o cultuam.
Tom Jobim (1927-1994) é outro. Óbvio que ele não tem
fôlego para a música sinfônica – mesmo assim, bastou seu nome em “Jobim
Sinfônico” para o disco ser incensado abaixo e acima do equador. Pesquisadores
e mídia adoram repetir que ele foi aluno de Hans-Joachim Koellreuter, o grande
mestre alemão que aqui aportou em 1937 e nos trouxe a modernidade da música
dodecafônica, das vanguardas e uma novíssima visão da música viva, ainda hoje
fundamental. Não se percebe a mais remota ressonância de Koellreuter na obra de
Jobim. Tudo indica que Koellreuter, que morreu no mês passado, será objeto de
interesse de sanguessugas metidos no gueto da música contemporânea, cada qual
puxando-o para seu cordão. Como ele não está aqui para se pronunciar, vale
tudo.
Voltando aos célebres mortos. Fama póstuma mexe com os
mecanismos da memória. Esta se transforma num campo de batalha, no qual o
público resgata uma versão homogeneizada e desenraizada dos ídolos, que torna o
público íntimo de superstars com as
quais muitas vezes jamais troca-se uma palavra. Fama póstuma, portanto, tem
mais a ver com fenômenos sociais do que propriamente com a qualidade musical do
objeto de culto. Nesta areia movediça com tantas variáveis, a indústria do
entretenimento deita e rola. CDs, DVDs, santinhos, livros, roupas, vale tudo
para nos sentirmos próximos de nossos ídolos. Só não chegamos ao nível dos
“hermanos” argentinos, que foram bem mais longe do que nós no culto às
celebridades vivas. Eles são invencíveis neste campo: entronizaram estrangeiros
na condição de glórias nacionais, como Carlos Gardel (1890-1935), e até
fundaram uma Igreja Maradoniana, que hoje exibe seus 20 mil fiéis. Ave,
Dieguito, morituri te salutant.
Alguma coisa como “necropop”
Graças
aos avanços tecnológicos nos anos 80/90, e para atender a crescentes e vorazes
mercados espalhados pelo mundo, a indústria fonográfica instigou o nascimento
de um verdadeiro “necropop” (a expressão é do jornalista inglês Patrick
Humphries). O roqueiro Buddy Holly (1936-1959) foi o primeiro, historicamente,
a sofre a “síndrome de Lázaro”, segundo o pesquisador finlandês Janne Makela,
professor na Universidade de Helsinque, autor do livro “John Lennon Imagined:
Cultural Story of a Rock Star” (2004), e de um dos mais interessantes ensaios
do livro “Afterlife as Afterimage” (ver texto anterior). Às demos solos de Holly acrescentou-se
acompanhamento; depois, os Doors fizeram trilha sonora para um tape em que Jim Morrison recitava poemas
(“American Prayer”). E o Queen botou acompanhamento em vocais inéditos de
Freddie Mercury (isso, além da já citada Nathalie Cole).
Como Jimi Hendrix (1942-1970), que em vida fez só
quatro discos e depois de morto teve lançadas mais de trinta gravações
oficiais, John Lennon também foi objeto de grandes compilações, várias caixas
de CDs com demos, caixa com VHS em 1992 e, em 2003, de DVDs. Agora, quando
completaria 65 anos no dia 9, tem-se o lançamento mundial simultâneo de um
álbum-duplo.
Especialista em Lennon, o professor Makela conversou
com o Valor, por e-mail. Em seus escritos, ele se coloca o objetivo de esmiuçar
como o estrelato de Lennon foi entendido, construído e usado desde o seu
assassinato, em 8 de dezembro de 1980. “Os Beatles terminaram como grupo em
1970, mas permaneceram como importante narrativa cultural do mundo
contemporâneo. A história dos Beatles terminou só no sentido da criação ativa
dos fab four”. Abaixo, trechos da
entrevista de Makela.
Valor: A fama póstuma não parece exceção, mas sim
regra de ouro do mundo pop.
Janne Makela: Sim, vivemos na era da reprodução
digital, em que a fama póstuma está mais presente do que nunca. Há “regras
comuns” para esta fama, mas cada estrela ou celebridade possui suas próprias
características. Eu diria que John Lennon é a típica estrela póstuma, na medida
em que seu legado sempre foi, e ainda é muito debatido. Também diria que o que
o torna especial é a aura de autenticidade que sempre observou em sua carreira
e ainda cerca a sua imagem. Ninguém pergunta o que Elvis pensaria de absurdos
tão grandes de reciclagem de sua imagem de superstar,
mas com Lennon a questão está sempre de pé.
Valor: Por que escolheu Lennon como objeto de
pesquisa?
Makela: A música e a arte de Lennon sempre me tocaram
pessoalmente, mas o real motivo é que considero sua carreira – incluindo a
póstuma, que hoje já é mais longa do que o período em que viveu – fascinante em
termos de estrelato e autenticidade.
Valor: Qual é o tempo médio que leva um artista, em
sua carreira póstuma, para fazer coincidir a imagem pública com o real tamanho
do seu talento?
Makela: A celebração do artista póstumo é um processo
que depende de muitas variáveis, como as circunstâncias da sua morte, a idade
em que morreu, o gênero que representa. Alguns são facilmente esquecidos, mas,
de repente, sua música aparece, em uma situação completamente diferente, e eles
retornam ao status de superstars.
Valor: Guardadas as proporções, esse processo de fama
póstuma no mundo pop tem alguma semelhança com a construção da reputação de
compositores clássicos?
Makela: Alguns artistas têm paradigmas similares, que
podem ser rastreados até a ideia romântica, vigente no século XIX, do artista
como gênio. Lennon é celebrado como grande artista, do mesmo modo como um
grande compositor de música clássica. A grande diferença, claro, é que a
moderna fama pop é salva pela tecnologia. Ou seja, desde o início do século XX,
a fama foi preservada pelos filmes, discos e outros modos de gravação que
tornam o artista, num certo sentido, imortal (ou, pelo menos, mais reciclável).
Valor: A fama póstuma tem mais a ver com talento ou
com marketing e relações públicas?
Makela: A qualidade da obra sempre ajuda, mas não é o
único fator. Relações públicas e marketing inteligentes foram decisivos, por
exemplo, para vender Bob Marley (1945-1981) como “porta-voz universal do amor e
da liberdade”, e ao mesmo tempo ignorar suas atitudes mais revolucionárias, nos
anos 90. Mas é bom lembrar que a fama póstuma pode incluir surpresas e produzir
formas como, por exemplo, os rituais de celebração de Jim Morrison (1943-1971)
num cemitério parisiense. Na música popular, o grande problema para a indústria
é que o sucesso e a fama são dificílimos de prever. Mais de 70% dos lançamentos
não cobrem os custos da produção original. Com a fama póstuma, porém, as
previsões são muito mais fáceis, sobretudo se estamos diante de um artista que
já havia coquistado reconhecimento público e a condição de “marca”.
Valor: Com a iminente quebradeira das gravadoras, qual
é a sua ideia de cenário da pop music daqui para a frente?
Makela: Acho que logo vamos presenciar uma enorme
variedade de movimentos, talvez até movimentos contraculturais ou, ao menos,
algum tipo de comunidade subcultural, baseada nas novas tecnologias. A música e
o estrelato se alicerçaram, no passado, sobre grandes shows ao vivo – e isso,
em minha opinião, continua a ser decisivo na engrenagem da música pop. Apesar
de vivermos na era do downloading digital, as performances ao vivo são de fato
mais populares do que nunca. Pelo menos na Finlândia e na Inglaterra. Podemos
ser “digitalizados”, mas é fato que toda essa cultura imaterial parece produzir
a necessidade permanente de experiências “reais”.
Valor: Vamos supor que John Lennon estivesse vivo
hoje, e completando 65 anos. Esataria cantando com McCartney “When I’m
Sixty-Four” e em plena estrada? É difícil imaginá-lo domesticado, um senhor de
65 anos metidos em chinelos e pijama assistindo TV.
Makela: Durante sua vida, Lennon foi um homem de
guinadas radicais, abruptas, e de surpresas ardilosas. Por isso, é difícil
pensar como ele seria hoje. Muitos o imaginam um artista revolucionário e
irado. Mas ele investiu bastante de sua vida como pai domesticado e empenhado
de seu filho durante os últimos cinco anos de vida. Talvez, se estivesse vivo,
tivesse se retirado da vida pública e recuperado sua privacidade. Ou seria um
ermitão ou produtor de discos – ou ambos, quem sabe...
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