quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Death's Entertainment


"A morte é uma excelente alavancagem 
para as carreiras de celebridades populares"


        Setembro de 2022 ficou marcado como o mês de acontecimentos bizarros e funestos. O Brasil foi palco de um show de horrores que teve início, de maneira mórbida, na semana das comemorações dos 200 anos da Independência: o coração do imperador Pedro I foi trazido de Portugal, num pote com formol, para ficar exposto à visitação do público. O que veio a seguir, no desfile do 7 de Setembro e no debate dos presidenciáveis, serviria de matéria-prima para mais um volume do FEBEAPÁ, do saudoso Stanislaw Ponte Preta, ou para o roteiro de uma sequência de Bananas, filme de Woody Allen

Na Escócia, bem longe destes acontecimentos, uma celebridade, a rainha Elizabeth II, esticava as canelas. E tome dez dias de exéquias, garantia de entretenimento midiático para toda a família. Na TV, as notícias da corrida presidencial brasileira foram solapadas pela cerimônias fúnebres da matriarca da família real britânica.

O que é intrigante, em relação a Elizabeth, é veneração exagerada que os brasileiros dedicam a ela. Nas redes sociais, teve gente comentando “parece que perdemos alguém da família”. Que os britânicos a tenham em grande estima é compreensível, mas a vassalagem dos brasileiros é nonsense.

As paródias que o cinema e a TV fizeram da rainha e de sua real família são mais admiráveis. Um bom exemplo é a Elizabeth encarnada por Scott Thompson, do The Kids In the Hall, grupo de comediantes canadenses. No primeiro filme da trilogia Corra Que A Polícia Vem Aí (Naked Gun, 1988), numa coletiva de imprensa, o tenente Frank Drebin (Leslie Nielsen), encarregado da proteção da rainha em território americano, faz o seguinte comentário: “Proteger a rainha é uma tarefa que agrada a polícia, não importando - para nós, americanos - como é idiota a ideia de se ter uma rainha”.

Charles, herdeiro do trono cuja profissão, segundo o New York Times era ”esperar a mãe morrer”, prometeu que dará continuidade ao trabalho da progenitora. Uma coisa é certa: com as mortes de Elizabeth e da atriz Betty White, quem passa a reinar no país dos memes sobre a longevidade das celebridades é Keith Richards.

Em outubro de 2005, o jornal Valor Econômico publicou um artigo sobre a vida póstuma de personagens da cultura pop. 

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Existe vida após a morte

Defeitos são para gente comum, não para celebridades, especialmente as musicais, incensadas enquanto vivem e mesmo depois - em manifestações que podem ser espontâneas, mas também se deixam associar a estratégias de mercado.

    João Marcos Coelho / Valor Econômico

    Nos últimos dez dias, o Brasil perdeu duas celebridades incontestáveis: Ronald Golias, aos 76 anos, e Emilinha Borba, aos 82. O luto coletivo levou a mídia a exageros que se justificam pelo calor da hora. “Gênio” foi a palavra mais suave que se empregou para qualificar o humorista e a cantora que por várias décadas conquistaram enorme sucesso popular.

Na realidade, Golias andava encostado no horrível “A Praça da Alegria”, programa exibido no SBT, e de Emilinha pouco se sabia. Marginalizados, foram trazidos de supetão para o centro do palco midiático. Presidentes de fã-clubes deram entrevistas emocionadas, jornalistas cobriram com dedicação todos os lances envolvendo as mortes, velórios públicos e enterros. E os críticos os avaliaram com mil e uma hipérboles. Os defeitos, as limitações, desapareceram magicamente, ressaltaram-se apenas as qualidades.

Pode parecer cínico lembrar, numa hora dessas, que “a morte é uma excelente alavancagem para as carreiras de celebridades populares”. A expressão é de Steve Jones, editor de uma coletânea de ensaios recém-publicados nos EUA com o título “Afterlife as Afterimage – Undestanding the Posthumous Fame” (algo como “vida após a morte como pós-imagem: entendendo a fama póstuma”).

A “carreira póstuma” também é assunto no livro “John Lennon Imagined: Cultural History of a Rock Star” (veja entrevista adiante). Lennon, que faria 65 anos na quarta-feira, será objeto de muita comemoração em todo o mundo, com direito a álbum-duplo de gravações inéditas, lançamento programado para o dia do seu aniversário. E em dezembro celebram-se também os 25 anos de sua morte.

A trajetória post-mortem começa com elegias, tributos e idealizações numa atmosfera de dor compartilhada. Depois, vem a fase da reavaliação crítica, em que pode haver até interpretações iconoclastas. E “termina num ponto qualquer, em que os defeitos desaparecem e a figura póstuma fica à disposição de leituras que nos convenham”, afirma Jones.

Estudiosos de vários países que participam do livro de Jones asseguram, no entanto, que a fama póstuma de músicos, cantores e compositores populares é bastante específica. E não fogem do clichê ao afirmar, como Jones, que “choramos copiosa e publicamente quando perdemos um ídolo musical porque ele criou a trilha sonora de nossas vidas”. De fato, só assim se explica a carreira de uma cantora como Maria Rita. Por vontade própria ou pressão da indústria fonográfica, pouco importa, ela se presta ao papel de “ghost” da mãe, explorando o sentimento de milhões de fãs e admiradores de Elis Regina (1945-1982) espalhados por todo o Brasil. Os arranjos clonam César Camargo Mariano; a formação instrumental idem; os trejeitos, a voz e a postura de palco da cantora idem ibidem; e as canções escolhidas constroem sonoridades típicas de três décadas atrás.

Maria Rita é um daqueles casos que os autores de “Afterlife” adorariam estudar em profundidade, já que no livro não há nenhum paralelo com estas circunstâncias. Talvez só a perversidade de Nathalie Cole, anos atrás, de gravar um dueto com o pai Nat King Cole usando alguns artifícios de estúdio. Boa ideia, talvez, para o terceiro CD de Maria Rita.

Os 13 ensaios de “Afterlife” enfocam ícones da música americana, como o genial blueseiro Robert Johnson (1911-1938), um mito construído por críticos e pesquisadores, já que sua carreira é toda póstuma. Ou Elvis Presley (1935-1977), o maior case de fama póstuma (mais de três mil imitadores circulam o tempo todo pelos EUA em shows; veja-se o filme “Um Estranho Chamado Elvis”, com Harvey Keitel e Bridget Fonda). Até o rapper Tupac Shakur (1971-1996), também assassinado, como Lennon, e Louis Prima (1910-1978), criticado em seu tempo por ser “italianado demais” e hoje incensado como “verdadeira reserva cultural contra o mau gosto reinante”, são objeto de ensaios.

Os ídolos são, para nós, “estranhos íntimos”. Nós os conhecemos profundamente, e em todos os detalhes. Mas a recíproca não é verdadeira. É hilária, por exemplo, a descrição que o escritor inglês Toby Young faz de uma festa do Oscar em Hollywood no livro “Como Fazer Inimigos e Alienar Pessoas”. Tropeçando em ídolos como Tom Cruise, Nicole Kidman, Sharon Stone e Liam Neeson, ele constata: “Era desconcertante estar num evento em que eu conhecia todo mundo e ninguém me conhecia. Com quem iria conversar?”.

É comum usar-se conceitos como “estrela”, “ícone”, “artista”, “imortal”, “lenda” e “maior do que a vida” quando fala-se sobre músicos, cantores e compositores populares, sejam do passado ou do presente. Claro, é uma questão de gosto, mas sabe-se que nem todo cantor pop é uma estrela, nem toda estrela brilha com igual intensidade e, enquanto algumas estrelas eclipsam antes que o público as conheça bem, outras são tão consistentes que nem mesmo a morte apaga seu brilho. O raciocínio é do pesquisador finlandês Marko Aho, num dos ensaios do livro. “No mundo dos superstars, lidamos com uma forma específica de existência pública”, que mantém características básicas com relação ao público: falta de contato direto e total desconhecimento dessa figura como uma pessoa normal.

“Há uma pessoa normal que não tem nenhuma presença na mídia. Ele ou ela existe, mas nós não os conhecemos de fato. E, do outro lado, há a figura midiática virtual, cujo modelo é Michael Jackson”. Deste, sequer pode-se imaginar como é na “vida real”. Aliás, será que ele tem uma “vida real” fora da telinha da TV? “Não sabemos”, afirma Aho. “Estamos familiarizados apenas com a sua imagem”.

Não há preconceito contra a indústria da celebridade nos ensaios que Jones reuniu em seu livro – o que é surpreendente. Ao contrário, em vários textos, os autores reafirmam que “os processos de celebridade póstuma desmentem a acusação de que a fama é uma construção de e para a mídia”. Após a morte, somente algumas figuras alcançam e sustentam a fama. Naturalmente, “a mídia não consegue prever nem controlar esse processo; pode apenas detectá-lo e lucrar com ele”.

Uma das constatações mais interessantes encontradas no livro é que os ídolos mortos são perfeitos, irretocáveis, porque 1) só falam o que queremos ou precisamos que nos digam; 2) como estão mortos, jamais contradizem a intimidade forjada que os fã-clubes e santuários digitais espalhados pela web exibem. Jones tenta dar uma de boa praça, mas só consegue um raciocínio tortuoso e distorcido: “Não estamos, como querem alguns críticos sociais, num inferno pós-moderno. Não somos miseravelmente alienados num mar de simulacros. E os fãs não são patéticos idiotas fanáticos. Em vez disso, estes ensaios mostram que a celebridade póstuma envolve uma participação democrática na leitura do presente e do passado”.

Ora, ensaios como os de Makela sobre John Lennon e de Aho sobre “Uma carreira em música: da obscuridade à imortalidade” indicam justamente o contrário. Estamos, sim, num inferno pós-moderno povoado de simulacros, os fãs são mesmo patéticos em sua histeria e obsessão. Afinal, a perda da comunicação pessoal na vida moderna é um fato deplorável. “O luto pelas celebridades mortas parece a última evidência da patologia da modernidade: chorar por alguém que você jamais encontrou na frente, com quem nunca teve um contato pessoal”, observa Jones.

Isso acontece porque “trazemos de volta, seletivamente, os mortos musicais em nossos próprios termos, para nos ajudar com nossas próprias concepções do significado da música”, escreve Joli Jensen, também editora de “Afterlife”.

Um país tropical como o Brasil exibe características que apaixonariam os pesquisadores de “Afterlife”. Por aqui, há muitos vivos intocáveis no reino estrelado das celebridades. João Gilberto é um deles. Gênio absoluto, não pode ser jamais atacado, nem quando canta três milhões de vezes e há cinco décadas a incrivelmente complexa canção “O Pato”. E os exegetas ficam sacando refinamentos numa respiração aqui, um trejeito novo ali. Pode? Outro é Roberto Carlos, talvez o mais antenado com objetivos comerciais entre nossas celebridades. Já fez músicas para as gordinhas, as costureirinhas etc. Há um filão inesgotável por aí, só suportável mesmo pelas tribos que o cultuam.

Tom Jobim (1927-1994) é outro. Óbvio que ele não tem fôlego para a música sinfônica – mesmo assim, bastou seu nome em “Jobim Sinfônico” para o disco ser incensado abaixo e acima do equador. Pesquisadores e mídia adoram repetir que ele foi aluno de Hans-Joachim Koellreuter, o grande mestre alemão que aqui aportou em 1937 e nos trouxe a modernidade da música dodecafônica, das vanguardas e uma novíssima visão da música viva, ainda hoje fundamental. Não se percebe a mais remota ressonância de Koellreuter na obra de Jobim. Tudo indica que Koellreuter, que morreu no mês passado, será objeto de interesse de sanguessugas metidos no gueto da música contemporânea, cada qual puxando-o para seu cordão. Como ele não está aqui para se pronunciar, vale tudo.

Voltando aos célebres mortos. Fama póstuma mexe com os mecanismos da memória. Esta se transforma num campo de batalha, no qual o público resgata uma versão homogeneizada e desenraizada dos ídolos, que torna o público íntimo de superstars com as quais muitas vezes jamais troca-se uma palavra. Fama póstuma, portanto, tem mais a ver com fenômenos sociais do que propriamente com a qualidade musical do objeto de culto. Nesta areia movediça com tantas variáveis, a indústria do entretenimento deita e rola. CDs, DVDs, santinhos, livros, roupas, vale tudo para nos sentirmos próximos de nossos ídolos. Só não chegamos ao nível dos “hermanos” argentinos, que foram bem mais longe do que nós no culto às celebridades vivas. Eles são invencíveis neste campo: entronizaram estrangeiros na condição de glórias nacionais, como Carlos Gardel (1890-1935), e até fundaram uma Igreja Maradoniana, que hoje exibe seus 20 mil fiéis. Ave, Dieguito, morituri te salutant.

Alguma coisa como “necropop”

    Graças aos avanços tecnológicos nos anos 80/90, e para atender a crescentes e vorazes mercados espalhados pelo mundo, a indústria fonográfica instigou o nascimento de um verdadeiro “necropop” (a expressão é do jornalista inglês Patrick Humphries). O roqueiro Buddy Holly (1936-1959) foi o primeiro, historicamente, a sofre a “síndrome de Lázaro”, segundo o pesquisador finlandês Janne Makela, professor na Universidade de Helsinque, autor do livro “John Lennon Imagined: Cultural Story of a Rock Star” (2004), e de um dos mais interessantes ensaios do livro “Afterlife as Afterimage” (ver texto anterior). Às demos solos de Holly acrescentou-se acompanhamento; depois, os Doors fizeram trilha sonora para um tape em que Jim Morrison recitava poemas (“American Prayer”). E o Queen botou acompanhamento em vocais inéditos de Freddie Mercury (isso, além da já citada Nathalie Cole).

Como Jimi Hendrix (1942-1970), que em vida fez só quatro discos e depois de morto teve lançadas mais de trinta gravações oficiais, John Lennon também foi objeto de grandes compilações, várias caixas de CDs com demos, caixa com VHS em 1992 e, em 2003, de DVDs. Agora, quando completaria 65 anos no dia 9, tem-se o lançamento mundial simultâneo de um álbum-duplo.

Especialista em Lennon, o professor Makela conversou com o Valor, por e-mail. Em seus escritos, ele se coloca o objetivo de esmiuçar como o estrelato de Lennon foi entendido, construído e usado desde o seu assassinato, em 8 de dezembro de 1980. “Os Beatles terminaram como grupo em 1970, mas permaneceram como importante narrativa cultural do mundo contemporâneo. A história dos Beatles terminou só no sentido da criação ativa dos fab four”. Abaixo, trechos da entrevista de Makela.

Valor: A fama póstuma não parece exceção, mas sim regra de ouro do mundo pop.
Janne Makela: Sim, vivemos na era da reprodução digital, em que a fama póstuma está mais presente do que nunca. Há “regras comuns” para esta fama, mas cada estrela ou celebridade possui suas próprias características. Eu diria que John Lennon é a típica estrela póstuma, na medida em que seu legado sempre foi, e ainda é muito debatido. Também diria que o que o torna especial é a aura de autenticidade que sempre observou em sua carreira e ainda cerca a sua imagem. Ninguém pergunta o que Elvis pensaria de absurdos tão grandes de reciclagem de sua imagem de superstar, mas com Lennon a questão está sempre de pé.

Valor: Por que escolheu Lennon como objeto de pesquisa?
Makela: A música e a arte de Lennon sempre me tocaram pessoalmente, mas o real motivo é que considero sua carreira – incluindo a póstuma, que hoje já é mais longa do que o período em que viveu – fascinante em termos de estrelato e autenticidade.

Valor: Qual é o tempo médio que leva um artista, em sua carreira póstuma, para fazer coincidir a imagem pública com o real tamanho do seu talento?
Makela: A celebração do artista póstumo é um processo que depende de muitas variáveis, como as circunstâncias da sua morte, a idade em que morreu, o gênero que representa. Alguns são facilmente esquecidos, mas, de repente, sua música aparece, em uma situação completamente diferente, e eles retornam ao status de superstars.

Valor: Guardadas as proporções, esse processo de fama póstuma no mundo pop tem alguma semelhança com a construção da reputação de compositores clássicos?
Makela: Alguns artistas têm paradigmas similares, que podem ser rastreados até a ideia romântica, vigente no século XIX, do artista como gênio. Lennon é celebrado como grande artista, do mesmo modo como um grande compositor de música clássica. A grande diferença, claro, é que a moderna fama pop é salva pela tecnologia. Ou seja, desde o início do século XX, a fama foi preservada pelos filmes, discos e outros modos de gravação que tornam o artista, num certo sentido, imortal (ou, pelo menos, mais reciclável).

Valor: A fama póstuma tem mais a ver com talento ou com marketing e relações públicas?
Makela: A qualidade da obra sempre ajuda, mas não é o único fator. Relações públicas e marketing inteligentes foram decisivos, por exemplo, para vender Bob Marley (1945-1981) como “porta-voz universal do amor e da liberdade”, e ao mesmo tempo ignorar suas atitudes mais revolucionárias, nos anos 90. Mas é bom lembrar que a fama póstuma pode incluir surpresas e produzir formas como, por exemplo, os rituais de celebração de Jim Morrison (1943-1971) num cemitério parisiense. Na música popular, o grande problema para a indústria é que o sucesso e a fama são dificílimos de prever. Mais de 70% dos lançamentos não cobrem os custos da produção original. Com a fama póstuma, porém, as previsões são muito mais fáceis, sobretudo se estamos diante de um artista que já havia coquistado reconhecimento público e a condição de “marca”.

Valor: Com a iminente quebradeira das gravadoras, qual é a sua ideia de cenário da pop music daqui para a frente?
Makela: Acho que logo vamos presenciar uma enorme variedade de movimentos, talvez até movimentos contraculturais ou, ao menos, algum tipo de comunidade subcultural, baseada nas novas tecnologias. A música e o estrelato se alicerçaram, no passado, sobre grandes shows ao vivo – e isso, em minha opinião, continua a ser decisivo na engrenagem da música pop. Apesar de vivermos na era do downloading digital, as performances ao vivo são de fato mais populares do que nunca. Pelo menos na Finlândia e na Inglaterra. Podemos ser “digitalizados”, mas é fato que toda essa cultura imaterial parece produzir a necessidade permanente de experiências “reais”.

Valor: Vamos supor que John Lennon estivesse vivo hoje, e completando 65 anos. Esataria cantando com McCartney “When I’m Sixty-Four” e em plena estrada? É difícil imaginá-lo domesticado, um senhor de 65 anos metidos em chinelos e pijama assistindo TV.
Makela: Durante sua vida, Lennon foi um homem de guinadas radicais, abruptas, e de surpresas ardilosas. Por isso, é difícil pensar como ele seria hoje. Muitos o imaginam um artista revolucionário e irado. Mas ele investiu bastante de sua vida como pai domesticado e empenhado de seu filho durante os últimos cinco anos de vida. Talvez, se estivesse vivo, tivesse se retirado da vida pública e recuperado sua privacidade. Ou seria um ermitão ou produtor de discos – ou ambos, quem sabe...

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