sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Robert Altman


"Não tenho medo do fracasso porque já fracassei inúmeras vezes."


 
    Durante a 2ª Guerra Mundial, aos 18 anos, Robert Altman estava em Morotai, ilha situada na Indonésia (Índias Orientais Holandesas), servindo no 307º Grupo de Bombardeiros como copiloto do B-24 Liberator, avião com o qual participou de cerca de cinquenta missões. 

No fim dos anos 1940, depois de vender um roteiro para a RKO, foi aprimorar suas habilidades cinematográficas em Nova York. Voltou para Kansas City, sua cidade natal, e colocou em prática o que aprendeu na Big Apple, trabalhando para uma produtora de filmes industriais. 

Em 1956, dirigiu The Delinquents, filme sobre gangues juvenis. No ano seguinte, mudou-se para a Califórnia, onde realizou o documentário The James Dean StoryThe Delinquents atraiu a atenção de Alfred Hitchcock, que o chamou para dirigir episódios da série Alfred Hitchcock Presents. A partir daí, Altman deixaria sua marca em episódios de várias séries da TV, entre elas, Bonanza, Bus Stop, Route 66, Combat e Kraft Suspense Theatre. Para a última, dirigiu o episódio Once Upon a Savage Night (1964), que seria reeditado e expandido para exibição em cinemas com o título Nightmare in Chicago.

Em 1967, dirige No Assombroso Mundo da Lua (Countdown), com James Caan e a Robert Duvall nos papéis de astronautas que se preparam para a primeira viagem à lua. Com direito a final surpresa, o filme explorava o filão da corrida espacial entre os EUA e a União Soviética, em meio à Guerra Fria. O filme seguinte, Uma Mulher Diferente (That Cold Day in the Park, 1968), é uma produção modesta, rodado no Canadá. A atriz Sandy Dennis interpreta uma mulher reprimida que acolhe um estranho em sua casa e o transforma em escravo sexual. O filme chamou alguma atenção da crítica e chegou a ser exibido no Festival de Cannes, sem maiores repercussões.

Sandy Dennis e Michael Burns, Uma Mulher Diferente (1969)

O nome de Robert Altman só ficaria mundialmente conhecido em 1970, graças a M*A*S*H, filme que levou a Palma de Ouro, em Cannes, e o Oscar de melhor roteiro. M*A*S*H é uma comédia sarcástica sobre a participação dos EUA na Guerra da Coreia. A visão anárquica do diretor se manifesta através de uma série de confusões, causadas por dois cirurgiões (Donald Sutherland e Elliott Gould), numa unidade médica do exército. “Fiz esse filme contra o belicismo, o militarismo e a hipocrisia dos regulamentos do exército. Tudo nele é pessoal: seu caráter anticonvencional, sua rebeldia, seu absurdo e sua liberdade”, dizia o diretor. Houve muita polêmica. O exército norte-americano - na época, envolvido na Guerra do Vietnã - proibiu seus soldados de assistirem ao filme, que só foi liberado para a TV após a retirada da canção Suicide is Painless, sob a alegação de que ela “incitava o suicídio”. O detalhe curioso é que o autor da letra da canção era o filho do diretor, Michael, de apenas 14 anos. A TV não perdeu tempo e transformou M*A*S*H numa série de sucesso. Altman detestou a ideia e recusou o convite para participar.

Elliott Gould, David Arkin e Donald Sutherland, M*A*S*H (1970)

A seguir, faria Voar é com os Pássaros (Brewster McLoud, 1970), fábula sobre um garoto que constrói um par de asas para realizar o sonho de voar. O filme ficou marcado pela descoberta da atriz Shelley Duvall, que, a partir daí, participaria outros filmes de Altman da década de 1970, como Quando Os Homens São Homens (McCabe & Mrs Miller), um faroeste às avessas, de 1971. Colocando um jogador de cartas (Warren Beatty) e uma cafetina (Julie Christie) como personagens principais, Altman expõe o lado marginal e anti-heroico da conquista do oeste americano, numa cidadezinha que interrompe a construção de uma igreja para construir um bordel. Merecem destaque as três belas canções de Leonard Cohen que permeiam a trama. Segundo o crítico Vincent Canby, “McCabe & Mrs. Miller é um filme sobre perdedores que, no entanto, nunca perdem o charme, porque são incapazes de perceber o que lhes acontece, e por que lhes acontece". Nessa época, Altman passou a produzir seus projetos por uma companhia própria, a Lion’s Gate.

Altman e Julie Christie, Quando os Homens São Homens (1971)

Um caso de esquizofrenia e histeria sexual é a definição de Altman para Imagens (Images, 1972), filme montado como um quebra-cabeça, em que uma mulher, mentalmente perturbada, perde o contato com a realidade e passa a se relacionar com personagens imaginários. Susannah York, que faz a protagonista, ganhou o prêmio de melhor atriz em Cannes. Durante o filme, York, que também era autora de livros infantis, narra, em off, trechos de seu livro In Search of Unicorns, “escrito num período de depressão e crise nervosa”.

Susanah York, Imagens (1972)

E foi num livro de Raymond Chandler que Altman encontrou material para seu próximo filme, O Perigoso Adeus (The Long Goodbye, 1973), em que Elliott Gould faz o célebre detetive Philip Marlowe. Transportado dos anos 1940 para os anos 1970, Marlowe, encarnado por Gould, está ocupado em desvendar o assassinato da esposa de seu melhor amigo. O Perigoso Adeus é um film noir à maneira de Altman, como se fosse o episódio de alguma série policial de TV. A cena violenta em que um mafioso psicopata quebra uma garrafa de refrigerante no rosto da namorada ficou marcante e causou comoção na época.

Elliott Gould, O Perigoso Adeus (1973)

Em 1974, Altman realiza Renegados Até a Última Rajada (Thieve Like Us), refilmagem de The Lived by Night (1948), de Nicholas Ray. O filme se passa nos anos 1930 e acompanha a saga de um trio de assaltantes de bancos que age no meio rural do Mississipi. Com bela fotografia, Renegados até a Última Rajada situa cronologicamente os acontecimentos através de transmissões radiofônicas. No filme seguinte, Jogando com a Sorte (California Split, 1974), Elliott Gould e George Segall são dois jogadores compulsivos que passam o tempo entre apostas e bebedeiras. Durante as filmagens, Altman incentiva a improvisação dos atores e experimenta novas técnicas de sonorização.

Louise Fletcher e Shelley Duvall, Renegados Até a Última Rajada (1974)

O ano de 1975 traria a marca de Nashville, considerado a obra-prima do diretor. Misturando gêneros (paródia, melodrama e musical), Altman aponta sua câmera para os bastidores show business e na política. Num final de semana, personagens e situações se entrelaçam durante uma campanha eleitoral e um festival de country music. A música e o estilo de vida country & western, que dominam o filme, são um pretexto para Altman dar uma cutucada nas camadas conservadoras da sociedade norte-americana. Nashville concorreu ao Oscar de melhor filme, mas a estatueta foi para a categoria de Melhor Canção, I’m Easy, escrita e interpretada por Keith Carradine.

Keith Carradine, Nashville (1975)

Remando novamente contra a corrente dos estereótipos do gênero do faroeste, em 1976, Altman desconstrói o mito heroico de Buffalo Bill, em Oeste Selvagem (Buffalo Bill and the Indians or Sitting Bull’s History Lesson). Interpretado por Paul Newman, o célebre personagem está longe de ser o destemido desbravador do oeste que o público aplaudia entusiasticamente no espetáculo Buffalo Bill’s Wild WestBill, personagem criado pelo escritor Ned Buntline para o amigo William Cody, era um homem inseguro, inescrupuloso, mentiroso e beberrão. Rodado numa reserva indígena canadense, o filme levou Altman a cortar relações com o produtor Dino De Laurentiis, que teria interferido na montagem final sem a sua autorização.

Paul Newman e Will Sampson, Oeste Selvagem (1976)

Em 1977, é a vez de Três Mulheres (3 Women), filme que conta a história da tímida Pinky (Sissy Spacek) e da extrovertida Millie (Shelley Duvall), duas jovens texanas que partem para a Califórnia em busca de “uma vida maravilhosa”. Lá, conhecem Willie (Janice Rule), artista plástica e proprietária de um bar que está grávida e desiludida com o casamento. Pinky, Millie e Willie terão suas vidas ligadas e mudadas após três acontecimentos: a tentativa de suicídio de Pinky, que, após um período em coma, apresenta mudança de personalidade, e as mortes do filho de Willie durante o parto, e de seu marido machão, num “acidente” com arma de fogo. “As três mulheres são, na verdade, a mesma mulher em três etapas diferentes da vida”, explica Altman, que escreveu o filme após sonhar com o argumento, o que explicaria a atmosfera onírica do filme, acentuada, principalmente, pelas pinturas de seres mitológicos da cultura navajo que Willie pinta no fundo de uma piscina abandonada. Três Mulheres rendeu a Shelley Duval o prêmio de Melhor Atrizem Cannes.

Sissy Spacek e Shelley Duval, Três Mulheres (1977)

Hilariante é a palavra mais adequada para descrever Cerimônia de Casamento (A Wedding, 1978), filme que reúne mais de quarenta personagens dentro da mansão onde acontece a festa de casamento de um rapaz de origem aristocrática e uma garota, filha de novos ricos. Para se ter uma ideia da situação, basta uma olhadela nos personagens: a avó do noivo morre minutos antes da chegada dos convidados, fato que é encoberto, para não estragar a festa; o bispo, encarregado da cerimônia, é rabugento e gagá; a mãe do noivo é viciada em morfina, e o pai, um ex-garçom, é, na verdade, um mafioso foragido da justiça italiana; a mãe da noiva flerta com um tio do noivo, planejando um encontro às escondidas; o médico, que fornece morfina para o consumo da mãe do noivo, passa o tempo todo com um copo de uísque na mão assediando a mulherada; a dona do buffet enlouquece após misturar álcool e tranquilizantes; a organizadora da festa é lésbica, e se apaixona pela noiva; a equipe de seguranças, desorganizada e truculenta, não hesita em bater antes de perguntar; uma das tias do noivo, simpatizante do socialismo, escandaliza a todos ao presentear os noivos com um quadro em que a noiva é retratada nua; outra tia tem como amante o chofer da família, que é negro, fato que a obriga a esconder sua paixão diante dos convidados; um dos convidados, que é pastor, confessa que se converteu após ouvir a voz de Deus na TV do motel onde estava com uma menor de idade; a irmã da noiva, ninfomaníaca, reúne os familiares para informar que está grávida do noivo. A Wedding é uma espécie de freak show em que os participantes são normais apenas na aparência. 

Altman e Lillian Gish, Cerimônia de Casamento (1978)

Quinteto (Quintet), primeiro filme de 1979, é um thriller policial que se passa num futuro distópico, sem jovens e imerso numa era glacial. O clima é de pesadelo.  Enquanto cães devoram cadáveres abandonados na neve, as pessoas passam o tempo apostando suas vidas num jogo de tabuleiro chamado Quinteto. Com fotografia sofisticada e figurinos que lembram trajes da Idade Média, o filme foi rodado no Canadá - durante seu rigoroso inverno - e no Círculo Polar Ártico. No mesmo ano, Altman promove, através do dating service, o namoro entre uma cantora de música pop e um solteirão criado numa conservadora família grega. A complicada relação do casal está no centro de Um Casal Perfeito (A Perfect Couple).

Paul Newman e Brigitte Fossey, Quinteto (1979)

Altman abre 1980 com Política do Corpo e Saúde (H.E.A.L.T.H.), uma sátira às eleições americanas e à geração saúde. A sigla do título significa Happines, Energy and Longevity Through Healt (Felicidade, Energia e Longevidade Através da Saúde), e pertence uma organização dedicada ao bem-estar. A história se passa num resort na Flórida, onde acontece a convenção para escolher o presidente da organização. A mensagem do filme é clara: manter o corpo saudável não significa, necessariamente, manter a mente na mesma condição. A seguir, Altman encara o desafio de dirigir um musical: Popeye. Com roteiro do cartunista e dramaturgo Jules Feiffer, o filme traz Robin Williams na pele do famoso marinheiro dos desenhos animados. Herói individualista que tem como lema “Eu sou o que sou”, Popeye vive uma história de amor, poder e corrupção. Segundo Altman, “é a história de uma sociedade oprimida e dominada por um ditador invisível”. Rodado na Ilha de Malta, o filme tem um ritmo estonteante, quase caótico. A cenografia, o figurino e a coreografia, com a participação de artistas circenses, são impecáveis. A trilha sonora ficou por conta de Harry Nilsson. Popeye foi criticado por ser violento demais para o público infantil e recebeu a classificação PG (criança acompanhada de adulto). O maior destaque é o casal formado por Robin Williams Shelley Duvall, nos papeis de Popeye e Olívia Palito. A sequência em que Duvall canta a música "He needs me" é impagável.

Robin Williams e Shelley Duvall, Popeye (1980)

Considerado um fracasso, Popeye levou Altman a uma guerra contra Hollywood, que o condenou a um exílio voluntário. Teve de vender sua produtora, a Lions Gate, na Califórnia, e foi para Nova York, onde abriu um escritório e tocou o barco. Passaria a década de 1980 dirigindo peças de teatro, óperas e filmes de baixo orçamento, baseados em textos teatrais, para cinema e TV

Em 1981, dirige, no teatro, uma peça de Ed Graczyc, com reações de crítica e público desfavoráveis. “Não tenho medo do fracasso porque já fracassei inúmeras vezes. Sei o que isso significa e o que não significa”, declarou. No ano seguinte, transforma em filme a peça que fracassou. James Dean, o Mito Sobrevive (Come Back to the Five and Dime, Jimmy Dean, Jimmy Dean) se passa numa lojinha de beira de estrada, situada próxima às locações de Assim Caminha a Humanidade (Giant, 1955), clássico de George Stevens. O local serve de ponto de encontro onde as integrantes de um fã-clube de James Dean, chamado The Disciples, se reúnem para celebrar o vigésimo ano da morte do ator. O encontro, planejado para ser uma confraternização, se transforma num amargo coquetel regado a frustrações e revelações. Para mostrar flashbacks, Altman exercita sua criatividade utilizando apenas as mudanças de iluminação. Ao contrário da montagem teatral, o filme, que conta com a atuação impecável do elenco feminino, permanece com um de seus melhores trabalhos da década de 80. Na mesma época, leva à tela da TV dois textos do dramaturgo Frank South, Precious Blood e Rattlesnake in a Cooler. A convite da University of Michigan School of Music, dirige a ópera Rake’s Progress, de Stravinski. 

Karen Black, James Dean, o Mito Sobrevive (1982)

No ano seguinte, Altman volta à guerra com O Exército Inútil (Streamers), filme baseado em texto homônimo do dramaturgo David Rabe, que serviu na Guerra do Vietnã em 1965Mais uma vez, Altman foge do convencional. O Exército Inútil, é um “filme de guerra” em que não há uma única cena em campo de batalha - pelo menos como se espera de um filme de guerra tradicional. O campo de batalha é um alojamento militar onde ocorre o combate entre quatro recrutas, às vésperas de serem enviados ao Vietnã, e dois veteranos constantemente bêbados. A tensão é crescente e o relacionamento nervoso do grupo é dissecado passo a passo. Em meio à expectativa de, em breve, estarem cara a cara com um inimigo desconhecido num território desconhecido, os recrutas trocam provocações que conduzem o conflito a um clímax que explode na mais crua violência. Lembrando seus tempos de jovem soldado sob a constante ameaça de um ataque do inimigo, Altman comentou: “Os recrutas de Streamers estão em uma verdadeira panela de pressão. Tudo é baseado no medo. Tem mais a ver com isso do que com o Vietnã.”

Apesar da densidade dos diálogos e do espaço exíguo, O Exército Inútil - que dispensa a utilização de uma trilha sonora - mantém o pique até o final graças a dois fatores fundamentais: a câmera ágil e dinâmica, que se movimenta energicamente, e a atuação de um elenco impecável e entrosado. Os atores Matthew Modine, Michael Wright, Mitchell Lichtenstein, David Alan Grier, Guy Boyd e George Dzundza compartilharam, num acontecimento inédito no Festival de Veneza, o prêmio de Melhor Ator.

O Exército Inútil é a prova de que o cinema ainda pode ser feito com simplicidade e economia, sem se apoiar exclusivamente nos dispendiosos recursos de uma superprodução recheada de efeitos especiais. Um diretor e um elenco talentosos são o suficiente. 

Mitchell Lichtenstein e Michael Wright, O Exécito Inútil (1983)

O trabalho seguinte, baseado em texto da revista humorística National Lampoon, não melhora a situação do diretor. O.C. and Stiggs, sua primeira incursão no gênero teen comedy, está entre seus piores filmes. Filmado em 1983, só seria lançado em 1987, apenas para exibição em TV. Em 1984, na Universidade de Michigan, Altman aponta sua câmera para o monólogo Honra Secreta (Secret Honor), e o show fica por conta do ator Philip Baker Hall, no papel de Richard Nixon. Em 1985, dirige para TV The Laundromat, peça de Marsha Norman, estrelando Carol Burnett. No mesmo ano, filma Louco de Amor (Fool for Love), peça de Sam Shepard, que atua ao lado de Kim Basinger, Randy Quaid e Harry Dean Stanton. Incesto, paixão e ciúme são os ingredientes da trama que se desenrola ao redor de um motel no deserto de Mojave. O filme não empolgou. 

Philip Baker Hall, Honra Secreta (1984)

Em 1985, Altman troca Nova York por Paris. “Nos EUA, o trabalho é orientado em termos de sucesso e dinheiro. Eu poderia facilmente fazer carreira rodando filmes sob encomenda, mas eu prefiro quebrar a cara às vezes, e fazer só o que me agrada”, explica o diretor, que quebra a cara, em 1987, com Beyond Therapy, considerado seu pior filme. Consegue melhor resultado na TV, com The Room e The Dumb Waiter, duas peças de Harold Pinter. Em 1988, a ópera novamente atrai o diretor, que participa de Aria, projeto em que dez diretores levam à tela suas visões de trechos de óperas. Inspirado por obras do gravurista William Hogarth e pelas práticas terapêuticas de manicômios do século 18, que incentivavam a ida de pacientes a concertos musicais, Altman aponta sua câmera para o comportamento de uma louca platéia durante a execução de Les Boréades, de Jean-Philippe Rameau.

Altman dirige trecho da ópera Les Boréadesepisódio de Aria (1987)

Em 1988, inicia o aquecimento para voltar ao time titular dos grandes diretores com três projetos para TV bem recebidos pela crítica: The Caine Mutiny Court-Martial, baseado em romance de Herman Wouk sobre o julgamento de um oficial da marinha acusado de amotinar a tripulação de um destróier durante a 2ª Guerra; Tanner ’88minissérie escrita pelo cartunista Gary Trudeau e filmada durante uma campanha política de verdade. Altman entra nos anos 1990 com outra minissérie, Vincent & Theo, cinebiografia dos irmãos Van Gogh que arrancou aplausos e elogios entusiasmados da crítica. O papel do pintor holandês ficou para o ator inglês Tim Roth. O sucesso da série levou-a a ser editada para exibição nos cinemas.

Tim Roth é Vincent van Gogh, Vincent & Theo (1980)

Robert Altman só teve seu trabalho reconhecido aos 45 anos de idade. Vincent Van Gogh só teve seus quadros valorizados após sua morte, aos 37 anos. Embora a vida do cineasta não tenha sido tão infernal quanto à vida do pintor, ambos são a prova de que, na arte, o talento supera o fracasso.

Texto de 1991. Foi revisto.

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