terça-feira, 4 de agosto de 2015

Às vezes, um lençol é apenas um lençol


Cena do filme Os Outros, de Alejandro Amenábar, 2001


    Nunca recebi a visita de fantasmas. A presença de fantasmas me agrada apenas em filmes e na literatura. Tenho especial simpatia pelo casal de fantasmas que habita o poemeto de Júlio Tanga. 

***

Medo de fantasmas
Júlio Tanga

 

Há tempos convivo com dois espíritos

Que desencarnaram sem permissão.

Os seus nomes são Maria e João,

Os dois, suicidas dos mais convictos.

 

Quando os vi naquela primeira vez,

No corredor entre o quarto e a cozinha,

Juro que um gelo me tomou a espinha

E a base dos meus pés se desfez.

 

Fechei os olhos e pedi a Deus

Que me abraçasse e os tirasse dali.

Mas os espectros inda lá estavam.

 

João e Maria, como eu, rezavam.

Em seus olhos um desespero eu vi

Muito maior que o que estava nos meus.



Julio Tanga é jornalista.

Poemeto enviado por e-mail, 25 de fevereiro de 2006, às 14:36:17. 


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