Nunca recebi a visita de fantasmas. A presença de fantasmas
me agrada apenas em filmes e na literatura. Tenho especial simpatia pelo casal de fantasmas
que habita o poemeto de Júlio Tanga.
***
Medo de fantasmas
Júlio Tanga
Há
tempos convivo com dois espíritos
Que
desencarnaram sem permissão.
Os
seus nomes são Maria e João,
Os
dois, suicidas dos mais convictos.
Quando
os vi naquela primeira vez,
No
corredor entre o quarto e a cozinha,
Juro
que um gelo me tomou a espinha
E a
base dos meus pés se desfez.
Fechei
os olhos e pedi a Deus
Que me
abraçasse e os tirasse dali.
Mas os
espectros inda lá estavam.
João e
Maria, como eu, rezavam.
Em
seus olhos um desespero eu vi
Muito
maior que o que estava nos meus.
Julio Tanga é jornalista.
Poemeto enviado por e-mail, 25 de fevereiro de 2006, às 14:36:17.

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