sábado, 6 de dezembro de 2025

"Minha semana bate o seu ano."


Página da Creem - America's Only Rock'n'Roll Magazine, 1975
(Foto de Michael Zagaris)


    Na autobiografia Blood, Sweat, and My Rock ‘n’ Roll Years: Is Steve Katz a Rock Star?, o guitarrista e produtor musical Steve Katz dedica uma passagem à época em que trabalhou com Lou Reed na produção de dois de seus álbuns, Rock’n’Roll Animal e Sally Can’t Dance, ambos de 1974. Uma passagem pouco ou nada enaltecedora.

Embora Katz não destile o veneno mortal de um Lester Bangs, jornalista que tinha uma relação de amor e ódio com Reed, ele não tem papas na língua ao descrever o período. Após a gravação do álbum Sally Can’t Dance, a dupla se separou. A RCA ainda lançaria, em 1975, um álbum produzido por Katz, Lou Reed Live, aproveitando sobras da noite de shows registrada em Rock’n’Roll Animal. Mas, naquele momento, Katz já estava bem longe.

Ao que tudo indica, a simbiose entre ambos não rolou por discrepância de hábitos, personalidades e estilos de vida. O embate entre os dois já se anunciava na época em que, sem se conhecerem formalmente, ambos circulavam pelo Max's Kansas City, lugar frequentado por artistas e celebridades da Nova York dos 1960. Katz era um hippie que seguia os preceitos do lema Paz & Amor. Reed era um niilista "obcecado por autodestruição", segundo as palavras de Bettye Kronstad, namorada que se tornaria sua primeira esposa em 1973. Quando Katz e Reed passaram a trabalhar juntos, ambos consumiam drogas recreativamente. Katz se rendia aos poderes relaxantes de um baseado; Reed, autor de uma polêmica ode intitulada "Heroin", preferia a euforia da anfetamina. Katz morava no campo, onde tocava violão, em meio a árvores e chilreios; Reed transitava pelo lixo e inalava monóxido de carbono nas ruas da Big Appleao som de buzinas e sirenes. 

Uma breve olhada na biografia de Reed torna possível supor que seu comportamento antissocial nos anos de 1973 e 1974, como descrito por Katz, não seria exagero. Após o fim da parceria, Reed voltaria aos estúdios para cometer o álbum Metal Machine Music, um suicídio artístico que o jornal inglês New Musical Express considerou “o maior e mais ofensivo FODA-SE de um artista para a sua plateia”. O próprio Reed disse ser incapaz de ouvi-lo do começo ao fim: “Aqueles que disseram ter ouvido são mentirosos ou insensatos.” Ao final de um texto incluído na capa do álbum, Reed sintetiza, com uma frase lapidar, o que poderia ser o slogan para o seu ritmo de vida quimicamente induzido: “Minha semana bate o seu ano.” 

No encarte da edição de 2006 do CD Coney Island Baby, álbum originalmente lançado em 1976, logo após Metal Machine Music, sem citar nomes, Reed escreve que, em 1975, estava sendo processado “por um empresário e seu irmão produtor” - o empresário era Dennis Katz, irmão de Steve, o produtor. Havia acumulado dívidas com meio mundo e, sem dinheiro, teve que dar suas guitarras para pagar “roadies”. Sua rotina era ir ao sindicato dos músicos e a escritórios de advocacia e contabilidade. Só conseguiu gravar Coney Island Baby depois de prometer ao presidente de sua gravadora, a RCA, que não gravaria The Son of Metal Machine Music. Coney Island Baby tornou-se uma das joias mais valiosas de sua discografia e foi seu último álbum daquela década pela RCA. 

Em 1976, Reed assinaria contrato com a Arista, período em que faz experimentos com novas técnicas de gravação e lança cinco álbuns que flertam com o jazz. Nos bastidores, se mostrava mais agressivo e, literalmente, distribuía porrada em amigos, músicos da banda e fãs que iam a seus shows. Voltou à RCA em 1980, ao mesmo tempo em que largava definitivamente as drogas e se casava pela segunda vezNa faixa que abre The Blue Mask (1982), primeiro álbum da nova fase de sua vida, um Reed sociável, às vésperas de se tornar um quarentão, declara: "Tenho uma vida afortunada / Meus escritos, minha moto e minha esposa". O Animal do Rock and Roll, finalmente, estava domesticado - mas não menos talentoso. Morreu em casa, aos 71 anos, em 2013, amparado pela terceira esposa, Laurie Anderson, após lutar contra um câncer de fígado.

***

 

Lou Reed: Deixando o Animal do Rock and Roll à solta


(Foto de Dewayne Dalrymple)

Quando Steve Katz, ex-Blood Sweat & Tears e Blues Project, aceitou produzir álbuns de Lou Reed, descobriu que existiam dois Lou Reeds. O primeiro era um animal, maravilhosamente capturado (ao) vivo, e o segundo era um morto-vivo, sonambulando em Sally Can’t Dance.

    por Steve Katz

Eu estava prestes a deixar o Blood Sweat & Tears, banda da qual eu fazia parte. Na maior parte do tempo, eu gostava da música que estava fazendo, tanto com o Blues Project quanto com o Blood Sweat & Tears, mas sempre havia conflitos de personalidade e com a indústria musical. Eu pensava que, sozinho — e essa seria a primeira vez que eu realmente estaria sozinho —, teria a liberdade estética para escolher com quem eu queria trabalhar e como abordaria qualquer situação. Eu não teria mais de aturar egos e babacas.

Isso até eu conhecer Lou Reed.

Conheci Lou em 1966, ou melhor, frequentávamos o mesmo espaço, quando ele estava no Velvet Underground. Quando comecei no Blues Project, o Velvet nos amedrontava. Nós éramos hippies suburbanos e eles eram feiticeiros drogados. Nós ficávamos atrás de garotas de saia e sandálias. Eles eram obcecados por botas de couro, chicotes e peles, e só Deus sabe que tipo de obscura magia sexual praticavam. Era de dar medo — a gente sempre esbarrava com eles no Max's Kansas City, o ponto de encontro de todo mundo, mas mantínhamos distância. O salão dos fundos era onde as estrelas da vanguarda do underground da arte, da moda e da música de Nova York se reuniam. Andy Warhol recebia seu círculo de amigos mais íntimos. Nos olhávamos com desconfiança, mas Lou e eu, formalmente, só nos conheceríamos alguns anos mais tarde...

Reed à frente do Velvet Underground
(Foto de Steve Schapiro)

Era primavera de 1973, e eu ainda estava no BS&T, ensaiando no nosso estúdio em Dobbs Ferry, Nova York, um pouco acima do Rio Hudson, perto de Manhattan. Meu irmão, Dennis, foi empresário de Lou e tinha acabado de sair da RCA. Lou ensaiava no estúdio de Dobbs Ferry com sua nova banda de moleques roqueiros, garotos da área apropriadamente chamados de The Tots. Foi assim que Lou e eu nos conhecemos. Ele estava no período pós-heroína e pré-anfetamina, um período em que o crítico de rock Lester Bangs se referiu a ele como um "Bozo beberrão". Lou bebia muito naquela época, estava confuso sobre sua orientação sexual e tremia como uma folha. Seu último álbum, Berlin, tinha sido um fracasso comercial. A questão para Lou agora era: "O que fazer depois de um fiasco?"

Por sorte, alguém pediu minha opinião e eu respondi: "Coloque uma banda excelente para acompanhá-lo e grave imediatamente um álbum ao vivo com músicas, na sua maioria, do Velvet Underground." Assim, todas aquelas pessoas que ouviram Lou pela primeira vez em "Walk on the Wild Side" seriam expostas, em um contexto moderno, a algumas das melhores composições dele. Os Tots foram dispensados ​​e substituídos por uma banda magnífica com alguns músicos que tocaram em BerlinSteve Hunter e meu velho amigo Dick Wagner, ambos da banda de Alice Cooper, eram os guitarristas. Na minha opinião, foi a contribuição deles, mais do que a do Lou, que ajudou Rock 'n' Roll Animal a se tornar um álbum clássico.

Reed entre Dick Wagner e Steve Hunter
(Foto de Gie Knaeps)

Lou estava consumindo quantidades épicas de anfetamina. Sua droga preferida era cloridrato de metanfetamina - nome comercial: Desoxyn. Ele estava perdendo peso e o tremor de suas mãos piorava. Eu estava curioso para saber como era a sensação de usar Desoxyn. Um dia, durante uma visita de Lou à minha casa de campo, pedi a ele que deixasse um comprimido antes de ir embora. Dando uma pausa na minha rotina diária de maconha, engoli metade. Não consegui dormir por três dias. Também não conseguia tocar um acorde direito no meu violão ou apertar o botão para ligar o meu toca-fitas. Minha esposa tinha que mudar os canais da TV. Eu era um morto-vivo. Meu primeiro pensamento foi: "Como ele consegue usar essa merda?". Meu segundo pensamento foi: "Como eu corto o efeito dessa merda?". Bebi um descafeinado, fumei outro baseado e nunca mais voltei a experimentar.

Provavelmente, Lou era bastante inteligente em benefício próprio, mas podia ser uma das pessoas mais engraçadas que eu já tinha conhecido, uma mudança revigorante em relação aos caras de estúdio do velho e chato Blood, Sweat & Tears. Este era o lado bom dele.

Reed com anfetamina: perda de peso e mãos trêmulas
(Foto de Mick Rock)

Lou respeitava o fato de eu ser músico e termos compartilhado uma história no underground nova-iorquino, mesmo com o Velvet deixando o Blues Project terrivelmente apavorado. Lou, plenamente consciente de que eu estava procurando uma saída do BS&T, gostou da minha ideia de fazer um disco ao vivo e perguntou se eu estaria interessado em produzi-lo. Eu já havia produzido um álbum, mas agarrei essa chance de produzir alguém com uma história. Minha nova carreira estava prestes a dar um grande passo. Eu estava voltando ao rock and roll e radiante com a perspectiva de produzir um possível álbum de sucesso. Eu nem havia considerado o fato de que os compromissos que eu teria que assumir produzindo esse artista fariam meu trabalho com as duas bandas anteriores parecer um passeio no parque.

Durante o verão de 1973, Lou e eu começamos a passar mais tempo juntos. Na maior parte do tempo, eu conseguia enxergar além da arrogância e das drogas, e aprendi que muito do que Lou fazia era pose. A prioridade de Lou na vida era observar as pessoas e torturá-las, encontrar o ponto mais fraco de alguém e dar o golpe final. Ele era um profissional nisso. Sua questionável bissexualidade durante esse período também lhe conferiu um ar de mistério que ele mesmo ajudou a fomentar, mas eu sabia que, consumindo tanta anfetamina, você provavelmente não conseguiria uma ereção, então isso se tornou irrelevante. De uma maneira perversa, isso provavelmente fez com que seus relacionamentos, com homens ou mulheres, fossem menos ameaçadores, mas a ilusão certamente alimentava fãs e críticos.

Certa noite, Lou me convidou para sair e eu fui buscá-lo. Decidimos ir ao Max's Kansas City, mas antes ele precisava ver o Dr. Freyman, também conhecido como Dr. Feelgood, que aplicaria sua dose de "vitaminas". Eu não conseguia acreditar que ele tinha me arrastado até lá, e, de volta ao carro, me virei e perguntei por que ele fazia aquela merda sabendo que aquilo eventualmente poderia matá-lo. Ele me disse que preferia estar morto a não fazer aquilo. Fim da discussão, Max's, aqui vamos nós.

Decidimos gravar dois shows consecutivos na Howard Stein's Academy of Music, situada na 14th Street com a Irving Place, em Manhattan, numa sexta-feira, 21 de dezembro de 1973. Para manter a música vigorosa, a banda havia ensaiado bastante na estrada, mas não a ponto de deixá-la repetitiva. Alugamos o estúdio remoto da Record Plant, microfonamos a banda, ligamos os cabos, fizemos a passagem de som e estávamos prontos para começar. Lou, como sempre, era a incógnita. Seu desempenho não dependia do senso de profissionalismo, mas do humor no momento, natural ou induzido artificialmente. Felizmente, neste caso, não faria muita diferença. A banda era muito boa.

O desempenho de Reed no palco dependia do seu humor no momento
(Foto de Mick Rock)

Com sua magreza anfetamínica, cabelos curtos tingidos, jaqueta de couro e, basicamente, parecendo um membro da Juventude Hitlerista que acabara de sair de um abrigo antiaéreo berlinense após 28 anos, Lou estava prestes a subir ao palco, após a abertura de Hunter/Wagner, e cantar o clássico "Sweet Jane". Preces não fariam Lou cantar afinado naquela noite – eu ficaria feliz se ele chegasse perto de uma melodia. Mas ele cantou, a banda estava ótima, a noite foi um sucesso.

Quando chegou a hora da pós-produção, felizmente, Lou ainda estava em turnê, então pude mixar o álbum sem a presença do artista, um sonho para qualquer produtor, especialmente para um artista como esse em particular, que começava sua descida às psicoses induzidas por anfetamina. Ele a usava por um ou dois meses e depois limpava o organismo por algumas semanas. Era quando ficava mais difícil de conviver com ele, na abstinência, e não quando estava sob o efeito da droga. Era quando você não atendia o telefone se ele ligasse. Era quando eu tinha que tomar dois comprimidos de aspirina toda vez que precisava falar com ele. Talvez, pensei, ser músico em uma banda, afinal, não era tão ruim assim.

A RCA seguia uma regra sindical que obrigava os artistas a usarem um engenheiro de som da própria gravadora. Caso contrário, teria de gravar fora do país. O álbum Rock 'n' Roll Animal foi gravado em Nova York, portanto eu precisaria usar um engenheiro da RCA, mas dei sorte com o Gus Mossler, que, com seu cabelo curto e jeito de Archie Bunker, se revelou um tesouro. Também contratei Gus para a mixagem. Só tivemos um problema: geralmente é aconselhável gravar a plateia separadamente em estéreo, em duas faixas de áudio, o que achávamos ter feito, até ouvirmos a reprodução e descobrirmos que faltava uma faixa, provavelmente por causa de algum defeito em um cabo no local do show. Ainda era possível "improvisar" uma faixa da plateia, então Gus teve a ideia de usar os aplausos de outro show dos arquivos da RCA. Ele foi até os arquivos, voltou e perguntou se eu me importaria de usar a faixa de áudio da plateia de um show do John Denver. Se eu me importaria? Eu não poderia estar mais feliz! Meu coração quase parou! Foi uma ideia absolutamente brilhante.

Reed tinha a aparência de um membro da Juventude 
Hitlerista: magro, cabelos curtos tingidos e jaqueta de couro
(Foto de Gijsbert Hanekroot)

Conforme o álbum ia terminando, descobri que, em uma das faixas de áudio da plateia, do fundo da Academy of Music, alguém gritou "Lou Reed sucks!" ("Lou Reed é um pé no saco!"). Mantive o grito na última parte do final* e, quando contei para o Lou, ele comentou que achava que era a melhor coisa que eu já tinha feito.

A parte realmente divertida era que, como as risadas gravadas dos sitcoms, você podia brincar com o volume. Risadas altas podem fazer uma piada ruim soar engraçada, aplausos altos podem fazer uma performance medíocre soar positivamente virtuosística, então, na metade de "Sweet Jane", quando a banda ainda está tocando a abertura, e Lou começa a entrar no palco, aumentamos os aplausos. O volume subiu para que soasse como se o Papa tivesse acabado de aparecer na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foi lindo, e continua assim até hoje.

Rock ’n’ Roll Animal foi lançado em fevereiro de 1974. Recebeu ótimas críticas, foi bastante executado nas rádios e vendeu bem, conquistando novos fãs e confundindo os antigos, sem desprezá-los, o que foi bom, já que esse público geralmente se sentia confortável no caos.

Anúncio do álbum Rock'n'Roll Animal

Com Rock ’n’ Roll Animal, nos afastamos de coisas pretensiosas e fizemos uma farra de guitarras deliberadamente exagerada, mirando no coração do público americano bebedor de cerveja e frequentador de shows de rock. Lou, porém, nunca conseguiu escapar da afetação, e foi vítima de sua pose de drogado, fingindo injetar heroína no palco, amarrando o torniquete e encostando uma seringa no braço, enquanto a plateia de jovens drogados o aplaudia, como se consumir drogas na frente de uma plateia, para chamar a atenção, fosse realmente legal. Mas eles engoliam aquilo tudo como se fosse doce.

Naquele mesmo mês, demos início à pré-produção do novo álbum de estúdio do Lou. Uma coisa era trabalhar com o Lou em um álbum ao vivo. Você grava em uma noite e, se o artista for problemático, não precisa passar muito tempo com ele. Em um estúdio, você tem que conviver com o artista. Meu sonho era trabalhar com alguém que eu gostasse e respeitasse. Essa não seria a situação. Convenci-me, sem nenhum constrangimento, de que o Lou poderia ser um grande artista, quando, de fato, quanto mais me aproximava dele no trabalho, mais me arrependia. Minha casa de campo era meu refúgio, onde eu podia pegar meu violão sem me preocupar se Lou Reed exigisse minha atenção, onde eu não precisava atender o telefone se não fosse necessário, e onde eu podia reunir forças para lidar com a próxima rodada de seus mísseis psicológicos, que se tornava cada vez mais desgastante. 

Nos shows, Reed fingia injetar heroína, para delirio da jovem plateia
(Foto de Michael Zagaris)

Começamos a trabalhar em Sally Can’t Dance, seu próximo álbum. Reservei o Electric Lady Studios, na 8th Street, no Greenwich Village, de 18 de março a 26 de abril de 1974. Os extraordinários guitarristas, Hunter e Wagner, tiveram que voltar a tocar com Alice Cooper. Mantive a seção rítmica de Rock 'n' Roll Animal e substituí Hunter e Wagner por Danny Weis, um virtuose da Telecaster que havia tocado no Rhinoceros e passado uma temporada com o Iron Butterfly. Adicionei Michael Fonfara nos teclados.

Sally Can’t Dance deveria ser uma mistura de estilos – eu ainda estava tentando evitar a linha do álbum “conceitual”, que havia sido o fracasso comercial. Cheguei a adicionar uma seção de metais em duas músicas, a música-título e “Ride Sally Ride”, que tinham influência de R&B. “Kill Your Sons” era a pura hostilidade de Lou Reed com um toque de metal.

Anúncio de Sally Can't Dance em página da revista Interview

“Ennui” “Billy” poderiam ter saído do repertório de um cantor e compositor de folk rock, “Animal Language” poderia estar em um álbum para divertir crianças. O álbum não tinha um fio condutor real, embora a maior parte disso fosse proposital para evitar que se encaixasse demais em um nicho específico, o que havia sido a ruína comercial de BerlinEu preferia ter seguido a direção dos álbuns posteriores de Lou, mais simples e com foco na guitarra. A única coisa que faltou em Sally Can’t Dance foi o próprio Lou. Ele estava presente nas sessões e contribuía com a voz guia quando precisávamos, mas, fora isso, tínhamos que nos virar com os problemas que ele criava. Na maior parte do tempo, estava chapado. A gente trabalhava nas músicas até às 4 da manhã, e Lou saía do banheiro, depois de tomar um pico, perguntando o que "nós" faríamos em seguida. Nós, claro, já tínhamos terminado o trabalho há horas.

Foi o fim para mim e para Lou. Tive que cancelar as gravações de Coney Island Baby. Naquele momento, ele estava simplesmente disfuncional. A RCA decidiu lançar um álbum com sobras de Rock ‘n’ Roll Animal e o chamou de Lou Reed Live.

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O texto de Steve Katz é um trecho de sua autobiografia, Blood, Sweat, and My Rock ‘n’ Roll Years: Is Steve Katz a Rock Star?, e foi publicado no site Please Kill Me em 23 de janeiro de 2019. 

*O grito da plateia, "Lou Reed sucks!" ("Lou Reed é um pé no saco!"), apareceria ao final do álbum Lou Reed Live, produzido por Katz e lançado em 1975, com outtakes da mesma noite de shows de Rock'n'Roll Animal.

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