Página da Creem - America's Only Rock'n'Roll Magazine, 1975
(Foto de Michael Zagaris)
Na autobiografia Blood, Sweat, and My Rock ‘n’ Roll Years: Is
Steve Katz a Rock Star?, o guitarrista e produtor musical Steve Katz dedica uma
passagem à época em que trabalhou com Lou Reed na produção de dois de seus álbuns, Rock’n’Roll Animal e Sally Can’t Dance, ambos de 1974. Uma passagem pouco ou nada enaltecedora.
Embora Katz não destile o veneno mortal de um Lester Bangs, jornalista que tinha uma relação de amor e ódio com Reed, ele não tem papas na língua ao descrever o período. Após a gravação do álbum Sally Can’t Dance, a dupla se separou. A RCA ainda lançaria, em 1975, um álbum produzido por Katz, Lou Reed Live, aproveitando sobras da noite de shows registrada em Rock’n’Roll Animal. Mas, naquele momento, Katz já estava bem longe.
Ao que tudo indica, a simbiose entre ambos não rolou por discrepância de hábitos, personalidades e estilos de vida. O embate entre os dois já se anunciava na época em que, sem se conhecerem formalmente, ambos circulavam pelo Max's Kansas City, lugar frequentado por artistas e celebridades da Nova York dos 1960. Katz era um hippie que seguia os preceitos do lema Paz & Amor. Reed era um niilista "obcecado por autodestruição", segundo as palavras de Bettye Kronstad, namorada que se tornaria sua primeira esposa em 1973. Quando Katz e Reed passaram a trabalhar juntos, ambos consumiam drogas recreativamente. Katz se rendia aos poderes relaxantes de um baseado; Reed, autor de uma polêmica ode intitulada "Heroin", preferia a euforia da anfetamina. Katz morava no campo, onde tocava violão, em meio a árvores e chilreios; Reed transitava pelo lixo e inalava monóxido de carbono nas ruas da Big Apple, ao som de buzinas e sirenes.
Uma breve olhada na biografia de Reed torna possível supor que seu comportamento antissocial nos anos de 1973 e 1974, como descrito por Katz, não seria exagero. Após o fim da parceria, Reed voltaria aos estúdios para cometer o álbum Metal Machine Music, um suicídio artístico que o jornal
inglês New Musical Express considerou “o maior e mais
ofensivo FODA-SE de um artista para a sua plateia”. O próprio Reed disse ser incapaz
de ouvi-lo do começo ao fim: “Aqueles que disseram ter ouvido são mentirosos ou
insensatos.” Ao final de um texto incluído na capa do álbum, Reed sintetiza, com uma frase lapidar, o que poderia ser o slogan para o seu ritmo de vida quimicamente induzido:
“Minha semana bate o seu ano.”
No encarte da edição de 2006 do CD Coney Island Baby, álbum originalmente lançado em 1976, logo após Metal Machine Music, sem citar nomes, Reed escreve que, em 1975,
estava sendo processado “por um empresário e seu irmão produtor” - o empresário era Dennis Katz, irmão de Steve, o produtor. Havia acumulado dívidas com meio mundo e, sem dinheiro, teve que dar suas guitarras para pagar “roadies”. Sua rotina era ir ao sindicato dos músicos e a escritórios de advocacia e
contabilidade. Só
conseguiu gravar Coney Island Baby depois de prometer ao presidente de sua
gravadora, a RCA, que não gravaria The Son of Metal Machine Music. Coney Island Baby tornou-se uma das joias mais valiosas de sua discografia e foi seu último álbum daquela década pela RCA.
Em 1976, Reed assinaria contrato com a Arista, período em que faz experimentos com novas técnicas de gravação e lança cinco álbuns que flertam com o jazz. Nos bastidores, se mostrava mais agressivo e, literalmente, distribuía porrada em amigos, músicos da banda e fãs que iam a seus shows. Voltou à RCA em 1980, ao mesmo tempo em que largava definitivamente as drogas e se casava pela segunda vez. Na faixa que abre The Blue Mask (1982), primeiro álbum da nova fase de sua vida, um Reed sociável, às vésperas de se tornar um quarentão, declara: "Tenho uma vida afortunada / Meus escritos, minha moto e minha esposa". O Animal do Rock and Roll, finalmente, estava domesticado - mas não menos talentoso. Morreu em casa, aos 71 anos, em 2013, amparado pela terceira esposa, Laurie Anderson, após lutar contra um câncer de fígado.
***
Lou Reed: Deixando o Animal do Rock and Roll à solta
Quando Steve Katz,
ex-Blood Sweat & Tears e Blues Project, aceitou produzir álbuns de Lou
Reed, descobriu que existiam dois Lou Reeds. O primeiro era um animal,
maravilhosamente capturado (ao) vivo, e o segundo era um morto-vivo,
sonambulando em Sally Can’t Dance.
por Steve
Katz
Eu estava prestes a deixar o Blood Sweat
& Tears, banda da qual eu fazia parte. Na maior parte do tempo, eu gostava
da música que estava fazendo, tanto com o Blues Project quanto com o Blood
Sweat & Tears, mas sempre havia conflitos de personalidade e com a
indústria musical. Eu pensava que, sozinho — e essa seria a primeira vez que eu
realmente estaria sozinho —, teria a liberdade estética para escolher com quem
eu queria trabalhar e como abordaria qualquer situação. Eu não teria mais de
aturar egos e babacas.
Isso até eu conhecer Lou Reed.
Conheci Lou em 1966, ou melhor,
frequentávamos o mesmo espaço, quando ele estava no Velvet Underground. Quando
comecei no Blues Project, o Velvet nos amedrontava. Nós éramos hippies suburbanos e eles eram
feiticeiros drogados. Nós ficávamos atrás de garotas de saia e sandálias. Eles
eram obcecados por botas de couro, chicotes e peles, e só Deus sabe que tipo de
obscura magia sexual praticavam. Era de dar medo — a gente sempre esbarrava com
eles no Max's Kansas City, o ponto de encontro de todo mundo, mas mantínhamos
distância. O salão dos fundos era onde as estrelas da vanguarda do underground da arte, da moda e
da música de Nova York se reuniam. Andy Warhol recebia seu círculo de amigos
mais íntimos. Nos olhávamos com desconfiança, mas Lou e eu, formalmente, só nos
conheceríamos alguns anos mais tarde...
Era primavera de 1973, e eu ainda estava no
BS&T, ensaiando no nosso estúdio em Dobbs Ferry, Nova York, um pouco acima
do Rio Hudson, perto de Manhattan. Meu irmão, Dennis, foi empresário de Lou e
tinha acabado de sair da RCA. Lou ensaiava no estúdio de Dobbs Ferry com sua
nova banda de moleques roqueiros, garotos da área apropriadamente chamados de
The Tots. Foi assim que Lou e eu nos conhecemos. Ele estava no período
pós-heroína e pré-anfetamina, um período em que o crítico de rock Lester Bangs se referiu a
ele como um "Bozo beberrão". Lou bebia muito naquela época, estava
confuso sobre sua orientação sexual e tremia como uma folha. Seu último
álbum, Berlin, tinha sido
um fracasso comercial. A questão para Lou agora era: "O que fazer depois
de um fiasco?"
Por sorte, alguém pediu minha opinião e eu
respondi: "Coloque uma banda excelente para acompanhá-lo e grave
imediatamente um álbum ao vivo com músicas, na sua maioria, do Velvet
Underground." Assim, todas aquelas pessoas que ouviram Lou pela
primeira vez em "Walk on the
Wild Side" seriam expostas, em um contexto moderno, a
algumas das melhores composições dele. Os Tots foram dispensados e substituídos por uma banda magnífica com alguns músicos que tocaram em Berlin. Steve Hunter e meu velho amigo Dick Wagner, ambos da banda de Alice Cooper, eram os guitarristas. Na minha opinião,
foi a contribuição deles, mais do que a do Lou, que ajudou Rock 'n' Roll Animal a se tornar
um álbum clássico.
Lou estava consumindo quantidades épicas de
anfetamina. Sua droga preferida era cloridrato de metanfetamina - nome
comercial: Desoxyn. Ele estava perdendo peso e o tremor de suas mãos piorava.
Eu estava curioso para saber como era a sensação de usar Desoxyn. Um dia,
durante uma visita de Lou à minha casa de campo, pedi a ele que deixasse um
comprimido antes de ir embora. Dando uma pausa na minha rotina diária de
maconha, engoli metade. Não consegui dormir por três dias. Também não conseguia
tocar um acorde direito no meu violão ou apertar o botão para ligar o meu
toca-fitas. Minha esposa tinha que mudar os canais da TV. Eu era um morto-vivo.
Meu primeiro pensamento foi: "Como ele consegue usar essa merda?".
Meu segundo pensamento foi: "Como eu corto o efeito dessa merda?".
Bebi um descafeinado, fumei outro baseado e nunca mais voltei a experimentar.
Provavelmente, Lou era bastante inteligente
em benefício próprio, mas podia ser uma das pessoas mais engraçadas que eu já
tinha conhecido, uma mudança revigorante em relação aos caras de estúdio do
velho e chato Blood, Sweat & Tears. Este era o lado bom dele.
Lou respeitava o fato de eu ser músico e
termos compartilhado uma história no underground nova-iorquino, mesmo com o Velvet deixando o
Blues Project terrivelmente apavorado. Lou, plenamente consciente de que eu
estava procurando uma saída do BS&T, gostou da minha ideia de fazer um
disco ao vivo e perguntou se eu estaria interessado em produzi-lo. Eu já havia
produzido um álbum, mas agarrei essa chance de produzir alguém com uma
história. Minha nova carreira estava prestes a dar um grande passo. Eu estava
voltando ao rock and roll e
radiante com a perspectiva de produzir um possível álbum de sucesso. Eu nem
havia considerado o fato de que os compromissos que eu teria que assumir
produzindo esse artista fariam meu trabalho com as duas bandas anteriores
parecer um passeio no parque.
Durante o verão de 1973, Lou e eu começamos a
passar mais tempo juntos. Na maior parte do tempo, eu conseguia enxergar além
da arrogância e das drogas, e aprendi que muito do que Lou fazia era pose. A
prioridade de Lou na vida era observar as pessoas e torturá-las, encontrar o
ponto mais fraco de alguém e dar o golpe final. Ele era um profissional nisso.
Sua questionável bissexualidade durante esse período também lhe conferiu um ar
de mistério que ele mesmo ajudou a fomentar, mas eu sabia que, consumindo tanta
anfetamina, você provavelmente não conseguiria uma ereção, então isso se tornou
irrelevante. De uma maneira perversa, isso provavelmente fez com que seus
relacionamentos, com homens ou mulheres, fossem menos ameaçadores, mas a ilusão
certamente alimentava fãs e críticos.
Certa noite, Lou me convidou para sair e eu
fui buscá-lo. Decidimos ir ao Max's Kansas City, mas antes ele precisava ver o
Dr. Freyman, também conhecido como Dr. Feelgood, que aplicaria sua dose de
"vitaminas". Eu não conseguia acreditar que ele tinha me arrastado
até lá, e, de volta ao carro, me virei e perguntei por que ele fazia aquela
merda sabendo que aquilo eventualmente poderia matá-lo. Ele me disse que preferia
estar morto a não fazer aquilo. Fim da discussão, Max's, aqui vamos nós.
Decidimos gravar dois shows consecutivos na
Howard Stein's Academy of Music, situada na 14th Street com a
Irving Place, em Manhattan, numa sexta-feira, 21 de dezembro de 1973. Para
manter a música vigorosa, a banda havia ensaiado bastante na estrada, mas não a
ponto de deixá-la repetitiva. Alugamos o estúdio remoto da Record Plant,
microfonamos a banda, ligamos os cabos, fizemos a passagem de som e estávamos
prontos para começar. Lou, como sempre, era a incógnita. Seu desempenho não
dependia do senso de profissionalismo, mas do humor no momento, natural ou
induzido artificialmente. Felizmente, neste caso, não faria muita diferença. A
banda era muito boa.
O desempenho de Reed no palco dependia do seu humor no momento
(Foto de Mick Rock)
Com sua magreza anfetamínica, cabelos curtos tingidos, jaqueta de couro e, basicamente, parecendo um membro
da Juventude Hitlerista que acabara de sair de um abrigo antiaéreo berlinense
após 28 anos, Lou estava prestes a subir ao palco, após a abertura de
Hunter/Wagner, e cantar o clássico "Sweet
Jane". Preces não fariam Lou cantar afinado naquela noite – eu
ficaria feliz se ele chegasse perto de uma melodia. Mas ele cantou, a banda
estava ótima, a noite foi um sucesso.
Quando chegou a hora da pós-produção,
felizmente, Lou ainda estava em turnê, então pude mixar o álbum sem a presença
do artista, um sonho para qualquer produtor, especialmente para um artista como
esse em particular, que começava sua descida às psicoses induzidas por
anfetamina. Ele a usava por um ou dois meses e depois limpava o organismo por
algumas semanas. Era quando ficava mais difícil de conviver com ele, na
abstinência, e não quando estava sob o efeito da droga. Era quando você não
atendia o telefone se ele ligasse. Era quando eu tinha que tomar dois
comprimidos de aspirina toda vez que precisava falar com ele. Talvez, pensei,
ser músico em uma banda, afinal, não era tão ruim assim.
A RCA seguia uma regra sindical que obrigava
os artistas a usarem um engenheiro de som da própria gravadora. Caso contrário,
teria de gravar fora do país. O álbum Rock 'n' Roll Animal foi gravado em Nova York, portanto eu
precisaria usar um engenheiro da RCA, mas dei sorte com o Gus Mossler, que, com
seu cabelo curto e jeito de Archie Bunker, se revelou um tesouro. Também
contratei Gus para a mixagem. Só tivemos um problema: geralmente é aconselhável
gravar a plateia separadamente em estéreo, em duas faixas de áudio, o que
achávamos ter feito, até ouvirmos a reprodução e descobrirmos que faltava uma
faixa, provavelmente por causa de algum defeito em um cabo no local do show.
Ainda era possível "improvisar" uma faixa da plateia, então Gus teve
a ideia de usar os aplausos de outro show dos arquivos da RCA. Ele foi até os
arquivos, voltou e perguntou se eu me importaria de usar a faixa de áudio da
plateia de um show do John Denver. Se eu me importaria? Eu não poderia estar
mais feliz! Meu coração quase parou! Foi uma ideia absolutamente brilhante.
Reed tinha a aparência de um membro da Juventude
Hitlerista: magro, cabelos curtos tingidos e jaqueta de couro
(Foto de Gijsbert Hanekroot)
Conforme o álbum ia terminando, descobri que,
em uma das faixas de áudio da plateia, do fundo da Academy of Music, alguém
gritou "Lou Reed sucks!" ("Lou Reed é um pé no saco!").
Mantive o grito na última parte do final* e,
quando contei para o Lou, ele comentou que achava que era a melhor coisa que eu
já tinha feito.
A parte realmente divertida era que, como as
risadas gravadas dos sitcoms,
você podia brincar com o volume. Risadas altas podem fazer uma piada ruim soar
engraçada, aplausos altos podem fazer uma performance medíocre soar positivamente virtuosística,
então, na metade de "Sweet
Jane", quando a banda ainda está tocando a abertura, e Lou começa a
entrar no palco, aumentamos os aplausos. O volume subiu para que soasse como se
o Papa tivesse acabado de aparecer na Praça de São Pedro, no Vaticano. Foi lindo, e continua
assim até hoje.
Rock ’n’ Roll
Animal foi lançado em fevereiro de 1974. Recebeu ótimas críticas, foi
bastante executado nas rádios e vendeu bem, conquistando novos fãs e confundindo
os antigos, sem desprezá-los, o que foi bom, já que esse público geralmente se
sentia confortável no caos.
Com Rock ’n’ Roll Animal, nos afastamos de coisas pretensiosas e
fizemos uma farra de guitarras deliberadamente exagerada, mirando no coração do
público americano bebedor de cerveja e frequentador de shows de rock. Lou, porém, nunca conseguiu
escapar da afetação, e foi vítima de sua pose de drogado, fingindo injetar
heroína no palco, amarrando o torniquete e encostando uma seringa no braço,
enquanto a plateia de jovens drogados o aplaudia, como se consumir drogas na
frente de uma plateia, para chamar a atenção, fosse realmente legal. Mas eles
engoliam aquilo tudo como se fosse doce.
Naquele mesmo mês, demos início à pré-produção
do novo álbum de estúdio do Lou. Uma coisa era trabalhar com o Lou em um álbum
ao vivo. Você grava em uma noite e, se o artista for problemático, não precisa
passar muito tempo com ele. Em um estúdio, você tem que conviver com o artista.
Meu sonho era trabalhar com alguém que eu gostasse e respeitasse. Essa não
seria a situação. Convenci-me, sem nenhum constrangimento, de que o Lou poderia
ser um grande artista, quando, de fato, quanto mais me aproximava dele no
trabalho, mais me arrependia. Minha casa de campo era meu refúgio, onde eu
podia pegar meu violão sem me preocupar se Lou Reed exigisse minha atenção,
onde eu não precisava atender o telefone se não fosse necessário, e onde eu
podia reunir forças para lidar com a próxima rodada de seus mísseis
psicológicos, que se tornava cada vez mais desgastante.
Nos shows, Reed fingia injetar heroína, para delirio da jovem plateia
(Foto de Michael Zagaris)
Começamos a trabalhar em Sally Can’t Dance, seu próximo álbum. Reservei o Electric Lady Studios, na 8th Street, no Greenwich Village, de 18 de março a 26 de abril de 1974. Os extraordinários
guitarristas, Hunter e Wagner, tiveram que voltar a tocar com Alice Cooper.
Mantive a seção rítmica de Rock
'n' Roll Animal e substituí Hunter e Wagner por Danny Weis, um
virtuose da Telecaster que havia tocado no Rhinoceros e passado uma temporada
com o Iron Butterfly. Adicionei Michael Fonfara nos teclados.
Sally Can’t Dance deveria ser uma mistura de estilos – eu ainda estava tentando
evitar a linha do álbum “conceitual”, que havia sido o fracasso comercial.
Cheguei a adicionar uma seção de metais em duas músicas, a música-título
e “Ride Sally Ride”, que
tinham influência de R&B. “Kill Your Sons” era a pura
hostilidade de Lou Reed com um toque de metal.
“Ennui” e “Billy” poderiam
ter saído do repertório de um cantor e compositor de folk rock, e “Animal Language” poderia estar
em um álbum para divertir crianças. O álbum não tinha um fio condutor real, embora a maior parte disso fosse proposital para evitar que se encaixasse
demais em um nicho específico, o que havia sido a ruína comercial de Berlin. Eu preferia ter seguido a
direção dos álbuns posteriores de Lou, mais simples e com foco na guitarra. A
única coisa que faltou em Sally
Can’t Dance foi o próprio Lou. Ele estava presente nas sessões e
contribuía com a voz guia quando precisávamos, mas, fora isso, tínhamos que nos
virar com os problemas que ele criava. Na maior parte do tempo, estava chapado.
A gente trabalhava nas músicas até às 4 da manhã, e Lou saía do banheiro,
depois de tomar um pico, perguntando o que "nós" faríamos em seguida.
Nós, claro, já tínhamos terminado o trabalho há horas.
Foi o fim para mim e para Lou. Tive que cancelar
as gravações de Coney Island Baby.
Naquele momento, ele estava simplesmente disfuncional. A RCA decidiu lançar um
álbum com sobras de Rock ‘n’ Roll
Animal e o chamou de Lou
Reed Live.
***
O texto de Steve Katz é um trecho de sua autobiografia, Blood, Sweat, and My Rock ‘n’ Roll Years: Is Steve Katz a Rock Star?, e foi publicado no site Please Kill Me em 23 de janeiro de 2019.
*O grito da plateia, "Lou Reed sucks!" ("Lou Reed é um pé no saco!"), apareceria ao final do álbum Lou Reed Live, produzido por Katz e lançado em 1975, com outtakes da mesma noite de shows de Rock'n'Roll Animal.











Nenhum comentário:
Postar um comentário